Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 18/06/2021

O longa-metragem “Oceanos de Plástico”,  retrata a realidade de áreas do planeta atingidas, não só por esse tipo de poluição, mas, também, pela elevada incidência de demais tipos de lixo. Nesse ínterim, assim como os danos causados à fauna e à flora motivados pela irresponsabilidade antrópica, evidentes no documentário, nota-se que a sociedade brasileira não é plenamente sensibilizada em relação à preservação  ambiental. Dessa forma, é mister analisar a elevada incidência de políticas de reciclagem informais, bem como o consumo exacerbado de objetos descartáveis.

Nesse sentido, a valorização dos profissionais responsáveis pelos serviços de separação e reciclagem é aspecto imprescindível para a amenização dos impactos causados pelo consumo irrefletido de objetos. Em face disso, o artista plástico brasileiro Vik Muniz, em sua obra “Lixo extraordinário”, enfatiza a importância dos catadores de lixo, que são agentes basilares no evitamento de um colapso ambiental: o acúmulo de mais destroços que não passaram pela fase de reaproveitamento. Não obstante, a ausência de protocolação empregatícia dos catadores, decorrente da anomia das superintendências responsáveis por essa demanda - tal como evidenciada pelo sociólogo Émile Durkheim - inviabiliza o reconhecimento dos tais como cidadãos.

Outrossim, o consumo exacerbado de utensilhos reflete uma cultura que se fundamenta na necessidade de acompanhar os “últimos lançamentos”. Tal aspecto pode ser percebido ao tomar como base a animação “A história das coisas”,  a qual alude ao percurso que se inicia desde a extração da matéria-prima até o produto final, bem como o caráter persuasivo do mercado para sua aquisição - visto que os objetos, a cada novo avanço, são inseridos no âmbito da “obsolescência programada” -, induzindo a compra e o descarte hiperbólico desses materiais. Dessarte, a falta de pensamento sustentável por parte dos sujeitos, além do desmazelamento ante o descarte coerente, acarreta um ciclo que consolida a fabricação em larga escala por parte das indústrias e, por corolário, um esgotamento dos recursos necessários à continuidade da espécie humana.

Portanto, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos elaborar um projeto de lei o qual, por meio da assinatura da carteira de trabalho dos catadores, formalize o trabalho praticado nos aterros sanitários, disponibilizando, também, um auxíio saúde - taxa de um salário mínimo voltado para consultas médicas e alimentação mensais - a fim de garantir o bem-estar dos trabalhadores. Cabe, também, ao Ministério da cidadania elaborar simpósios propagados por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigidos por ambientalistas , a fim de sensibilizar a população à reflexão de seus atos. Almeja-se, com essa medida, que o evidenciado em “Oceanos de plástico”, não seja piorado pela população brasileira.