Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.
Enviada em 01/07/2021
O acidente radioativo ocasionado na cidade de Goiânia ocorreu pelo descarte inadequado do lixo, dessa forma o elemento Césio-137, presente em uma máquina utilizada no manejo de tratamento oncológico, foi alvo de muitas mortes. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros realizam o despojo inadequado do lixo sólido, o que corrobora a vulnerabilidade social causada pela proliferação de doenças e poluição ambiental. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental, além da influência da mídia, essas consequências se agravam na sociedade brasileira.
Com efeito, a negligência do estado, no que tange o descarte inadequado de lixo sólido, é um dos fatores que fazem com que essa prática se perpetue. Nessa prerrogativa, a escassez de projetos sociais que visem à diminuição do lixo urbano, assim como a ausência da atribuição de multas em casos de descarte de dejetos nas ruas, contribui para precariedade desse setor. Dessa maneira, parte da população acaba usufruindo de um ambiente desfavorável à qualidade de vida, além da proliferação de doenças que afetam a saúde pública. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar que todo cidadão tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, essa lei não vigora, visto que, não há investimentos estatais nessa área.
Nota-se, outrossim, que as mídias digitais se configuram como fator influente para o acumulo de lixo sólido na sociedade brasileira. Nesse aspecto, comerciais televisivos que influenciam a população ao consumismo exacerbado, além dos interesses dos oligopólios nas mídias, corroboram para relativização dessa problemática. Dessa forma, de acordo com a ONU- Organização das Nações Unidas, mais da metade do lixo que é descartado está em perfeita condição de uso. Isso posto, a midiatização dos hábitos de consumo é responsável pelo descarte precoce de objetos. Logo, pela ação do empresariado, nos meios de comunicação a obsolescência programa, além do acumulo de lixo, tendem a crescer, deplorável panorama, que inclusive, concorda com Owell quando afirma que a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.
Portanto, vistos os desafios que contribuem para o destino inadequado do lixo na sociedade brasileira, é mister uma ação do Estado e das mídias. Diante disso, o Ministério da Educação deve abordar a importância da consciência ambiental nas escolas, mediante implementação de atividades que abordem a importância do descarte adequado do lixo e ações extraclasse para coleta de desjetos nas ruas, com o intuito de gerar um ambiente saudável à vida e diminuir a poluição ambiental. Ademais, cabe ao Ministério das comunicações divulgar as consequências da obsolescência programada, com o intuito de diminuir o consumismo. Visto isso, acidentes como o de Goiânia, não ocorrerão novamente.