Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 01/11/2021

De acordo com a Ecologia, os chamados agentes decompositores, como bactérias e fungos, cumprem essencial papel na manutenção da vida no planeta ao degradarem matéria orgânica. Entretanto, de maneira contrária a essa lógica, o ser humano tem desenvolvido desde a Revolução Industrial uma exponencial produção de lixo, cujo destino inadequado e escasso tratamento tem gerado a poluição e morte de ecossistemas, o que impacta a vida no planeta como um todo. Nesse sentido, fatores de ordem histórica e social caracterizam a problemática.

É importante pontuar, de início, a histórica urbanização dos países desacompanhada de qualquer infraestrutura destinada ao tratamento do lixo como fator que influencia o cenário atual. Tal fator pode ser ratificado pelo documentário chamado “Plastic Ocean”, o qual mostra a enorme quantidade de plástico despejado nos oceanos todos os anos de tal forma que no futuro próximo é provável haver mais plástico do que organismos vivos nesses corpos d’água. Contudo, esse tipo de irresponsabilidade de algumas empresas e, em alguns casos, até de crime ambiental, afeta o planeta como um todo, visto que as relações ecológicas entre os seres vivos gera efeitos diversos em diferentes regiões. Dessa forma, é possível perceber a relevância do assunto.

Outrossim, vale ressaltar a falta de consciência ambiental dos cidadãos quanto à preocupação acerca do que é consumido e como aquele resíduo será tratado. Infelizmente, o descaso em relação ao lixo configura o que o sociólogo Durkheim chama de “fato social”, ou seja, uma prática já realizada e normalizada na sociedade antes do nascimento do indivíduo. Todavia, uma vez que a população também possui deveres como cidadãos muito poderia ser feito com o maior engajamento e conhecimento sobre a questão para promover mudança de postura e maior atenção quanto ao destino de restos de materiais e produtos consumidos.

É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho histórico e social na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao governo federal o papel de fornecer maiores investimentos para o setor de tratamento do lixo e para a construção de centros de reciclagem a fim de determinar o descarte correto do lixo nas cidades. Ademais, cabe à sociedade por meio da pesquisa e da busca por informação a função de realizar pressão contra os governantes para a adoção de medidas de cuidado com os detritos das cidades. Tal medida pode ser realizada por meio de protestos e manifestações sociais para cobrar e exigir mudanças. Poder-se-á, assim, combater o problema e mudar o fato social contemporâneo.