Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 26/09/2021

No filme “Wall-e”, evidencia-se um contexto de acúmulo de lixo inviável para a vida humana na terra, no qual a criação de robôs é uma tentativa de manutenção do planeta. Fora da ficção, a questão da gestão de resíduos no Brasil é um impasse político e social. Diante disso, é indubitável que a negligência governamental e o irresponsabilidade dos cidadãos cooperam para os entraves ambientais decorrentes do descarte inapropriado do lixo. Portanto, faz-se vital ratificar uma administração responsável e retificar a desvalia atribuida a esse viés.

Nesse contexto, é imprescindível ressaltar que a Constituição Federal de 1988 garante que é responsabilidade do Estado criar políticas públicas para o correto descarte e o tratamento de resíduos hospitalares, industriais e sociais. Entretanto, a realidade é que quando ocorre a coleta, o despejo não é em local apropriado, uma vez que grande parte dos lixões são em locais abertos e irregulares, situação que potencializa a proliferação de doenças e a contaminação dos lençóis freáticos. Segundo Aristóteles, compete ao governo, por meio da justiça, estabelecer o equilíbrio dentro do corpo social. Nesse sentido, é indiscutível que a má gestão dessa causa está ligada ao descumprimento do legislativo e da omissão política perante a justiça, de forma que tais atos enfraquecem o desenvolvimento da sustentabilidade.

Ademais, outro fator que delimita a problemática é o descaso do papel social diante da manutenção das normas éticas e morais, de maneira que muitos cidadãos dificultam a gestão do lixo nas cidades do país. Nessa perspectiva, muitos indivíduos descartam o lixo em ambientes impróprios, como nas ruas e em lotes abandonados, já que inviabilizam a coleta efetiva dos órgãos responsáveis. Conforme Émile Durkheim, a sociedade desconhece os limites entre o público e o privado, visto que o comportamento individualista interfere no bem-estar dos demais. Perante isso, o impasse da questão do lixo está atrelado a falta de responsabilidade cidadã para com o setor público, condição que corrobora para enchentes nas áreas urbanas.

Por tudo isso, é fundamental retificar a gestão dos resíduos em todo território nacional. Assim, urge que o Governo Federal invista recursos suficientes para a coleta e a reciclagem do lixo, de maneira que construa locais apropriados para a decomposição e análise dos rejeitos, de modo que haja a contratação regular dos catadores para realizar esse ofício. Além disso, o Poder Legislativo deve aprimorar as leis para punir atos de despejo irregular no Brasil, por meio de multas aos infratores, a fim de despertar o comportamento ético e moral entre os indivíduos. Quiçá, poder-se-á alcançar uma sociedade mais equilibrada e sustentável.