Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.
Enviada em 18/11/2021
“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o despejo de lixo em locais inadequados- grave obstáculo a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também falta de empatia –reflexo do individualismo- solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema. Nesse sentido, na teoria, imagina-se que o descarte correto de lixos nos municípios seja garantido pelo direito social ao meio ambiente, previsto na Constituição federal de 1988. Entretanto, na prática, o Estado não atua em defesa do ponto de vista esperado constitucionalmente, pois, segundo o Índice de Limpeza Urbana, 50% das cidades ainda despejam resíduos em depósitos irregulares. Esse fato abre espaço para a infiltração de chorume no solo - líquido proveniente da matéria orgânica dos resíduos e com alta concentração de metais pesados-, contaminando lençóis freáticos, rios e lagos. Logo, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso ocorre, visto que muitas pessoas prejudicam a si mesmas com o pensamento que não irão sofrer as consequências dos seus atos, como jogar lixo nas ruas, lagos e represas, o que pode causar enchentes, alagamentos e sujar a cidade. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência, falta de empatia, pois para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão e funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, são necessárias medidas capazes de combater a negligência do Estado perante o descarte incorreto de dejetos no Brasil. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, desenvolva “workshops” em escolas, para debater causas, consequências e como melhorar a postura dos municípios e da sociedade quanto ao destino dos lixos. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas - de modo a proporcionar a visualização do assunto -, além de palestras de sociólogos que orientem sobre o tema para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a elucidação da população sobre a questão e erradicar o problema. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.