Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 23/03/2022

Na obra pré-modernista “Triste Fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Da literatura à realidade, contudo, ao observar o descarte inadequado do lixo, percebe-se que esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, é importante analisar a negligência estatal e importância da educação ambiental.

A princípio, é fulcral ressaltar que a omissão da governança acerca do lixo agrava a problemática. Nessa perspectiva, apesar de assegurado no artigo 225°, da Constituição Federal de 1988, nem todas as cidades possuem coleta e descarte ideal de lixo, na qual o descarte inadequado, além de poder ser um vetor de doenças, pode atingir os lençóis freáticos, contaminar rios e provocar enchentes, principalmente nas grandes cidades. Assim, é de suma importância descartálos de maneira adequada e universalizar a coleta, de modo com que os efeitos negativos causados às cidades e à natureza sejam atenuados.

Outrossim, é evidente que a educação ambiental é importante aliada para atenuar os efeitos do lixo na natureza. Nesse prisma, aluda-se ao pensamento de Paulo Freire, “se a educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob esse viés, fica notório que com a população cooperando pondo seus detritos nos horários de coleta, e incentivando a reciclagem, os efeitos dos próprios ao meio ambiente serão suavizados, garantindo uma melhor qualidade de vida e menor impacto à sociedade. Desse modo, não é inesperado que o Brasil, -apesar de almejar tornar-se nação desenvolvida- persista em não valorizar a educação de modo benevolente.

Dessarte, fica evidente que nem todos têm acesso à educação ambiental. Logo, cabe ao governo federal, por meio de projetos, ampliar a rede de coleta de lixo, e pelas redes sociais promover campanhas que conscientize a população acerca do descarte ideal desses resíduos, com a finalidade de que tais detritos não causem mais enchentes, além de não se transformarem em vetores de doenças, acarretando em menores impactos ambientais e sociais. Em vista da concretização dessas ações, o Brasil se aproximará da idealização do Policarpo.