Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.
Enviada em 15/08/2022
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história da nação: a Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país, cujo conteúdo garante o direito ao equilíbrio ambiental e à cidadania. Entretanto, a perpetuação da produção desenfreada de lixo, bem como seu descarte irregular, evidencia que os brasileiros estão distantes de vivenciar a realidade prevista na Carta Magna. Com efeito, deve-se desconstruir pensamentos e atos egoístas e combater a omissão do Estado.
Em primeiro lugar, a produção massiva de resíduos é uma consequência da cultura capitalista, na qual tudo se resolve com o consumo, o que causa uma felicidade ilusória e temporária, como disserta Jean Baudrillard – expoente sociólogo - em sua obra “A sociedade do consumo”. Sob essa perspectiva, a necessidade de satisfazer vontades momentâneas e muitas vezes fúteis, impulsiona a degradação ambiental a longo prazo, de modo causar prejuízos em escala global. Portanto, é imperioso que esse comportamento seja desconstruído.
Outrossim, a animação dos estúdios Pixar “Wall-e” retrata um futuro distópico no qual os homens passam a habitar um novo planeta devido à degradação da Terra. De modo análogo à ficção, o acúmulo de lixo no mundo mostra que a humanidade caminha para o futuro retratado nas telas. Diante disso, o Estado se mostra omisso na medida em que, na prática, não incentiva a redução do consumo desenfreado. Logo, não é razoável a manutenção desse cenário em um país que almeja se tornar nação desenvolvida.
Destarte, urge que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a problemática. Posto isso, compete às prefeituras municipais a construção de aterros sanitários, por meio de verbas destinadas a essa finalidade, com o intuito de garantir a redução dos impactos ambientais causados pelo lixo; ainda, deve-se promover palestras sobre os malefícios do consumo compulsivo com o fito de mitigar a massiva geração de resíduos. Aos cidadãos, cabe o exercício do autocontrole para evitar a produção de lixo excessivo, além de realizar o descarte correto dos materiais, a fim de diminuir a degradação ambiental. Desse modo, o futuro representado no filme da Disney estará mais distante da realidade.