Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 24/06/2023

O filósofo Raimundo Teixeira de Mendes, criador da Bandeira Nacional, defendia a propagação do lema “Ordem e progresso” para o contexto comunitário. Contudo, esse ideal não se reverbera na prática, pois, dentre outros problemas, a má gestão dos resíduos sólidos faz-se presente no país. Tal dificuldade está associada ao déficit no valor da cidadania e é fomentada tanto pela inoperância estatal quando pela alienação social.

Sob tal ótica, a negligência do poder público torna-se um complexo dificultador para a resolução desse entrave. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve regular as ações humanas . Nesse viés, nota-se uma elevada disparidade entre essa ideia e a atuação governamental, já que a ausência de políticas públicas efetivas de incentivo à reciclagem e à coleta adequada desestimula os cidadãos, em sua maioria, a adotarem práticas eficazes de tratamento dos material formado, uma vez que o próprio governo não valoriza tais medidas. Desse modo, intervenções estatais são necessárias para a dissolução desse revés.

Além disso, a inação de grande parte do corpo social, impulsionada pela ótica consumista, também é um obstáculo para a iniciativa no combate à problemática supracitada. Nesse sentido, o poeta José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, demonstra que o silenciamento da sociedade é nocivo para a resolução de impasses coletivos. Dessa forma, percebe-se que a postura individualista frente ao manejo dos descartáveis distancia o indivíduo da sua responsabilidade social sobre o lixo, à medida que o compromisso com o rejeito gerado é terceirizado, em detrimento do consumismo, que eleva a aquisição de novos produtos como reforço do status social. Logo, é inadmissível que esse contexto perdure.

Portanto, são necessárias ações para atenuar o abordado. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão que regulamenta o ensino brasileiro, difundir, por meios das mídias digitais, campanhas que reafirmem a responsabilização da comunidade sobre os detritos, com o fito de estimular a participação social no enfrentamento da problemática. Além disso, o Governo Federal deve implementar políticas públicas que propiciem uma gestão correta do material solido. Assim, o ideal veículado na bandeira poderá tornar-se uma realidade prática.