Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 03/10/2018
“O gigante acordou” esta frase ficou conhecida nas manifestações de 2013, que começou com o aumento de vinte centavos na passagem do ônibus e se expandiu pelo Brasil em busca de diversas reivindicações. Após cinco anos, as manifestações populares ainda se fazem presentes nas ruas brasileiras. Deste modo, torna-se passível de discussão a importância da mobilização popular em busca de direitos.
Em primeira análise, destaca-se a importância do engajamento popular no cenário político. Visto que o povo em uma democracia possui o direito de garantir e de reivindicar seus benefícios, como Hannah Arendt irá defender em suas obras a inexistência do poder sem o consentimento do povo. Um exemplo foi o impeachment do presidente Collor após o movimento dos caras pintadas. No entanto há, na atualidade, manifestações oprimidas pelas forças policiais, as quais possuem o dever de promover a segurança e a existência de tais movimentos e não o exercício de oprimir ou impedir. Em decorrência há o medo e a insegurança por parte da população em se organizar para se dirigir à lugares públicos em busca de melhorias.
Além disso, há uma desigualdade no Brasil em relação ao acesso à informação, gerando assim uma desigualdade na fala e na capacidade de expressão. O sociólogo Nick Couldry escreveu sobre a importância da voz de todos para uma efetiva democracia e não as vozes somente daqueles socialmente privilegiados. Deste modo, as manifestações são essenciais para exercitar a cidadania e a democracia. Ainda assim, é necessário ressaltar que manifestar-se através do ambiente online é de extrema importância para difundir ideias, muitas vezes, omitidas pela mídia. Um exemplo é o movimento “Ele não” o qual ganhou espaço através das redes sociais contra um candidato à presidência nas eleições de 2018.
Torna-se evidente, portanto, a importância da mobilização popular em busca de mudança social. Assim o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional de Educação, deveria introduzir a disciplina de Ética e Cidadania na grade curricular dos alunos do Ensino Médio, a fim de semanalmente promover o ensino dos direitos e deveres de cada cidadão, além de mostrar a importância de escolher representantes no momento das eleições. Ademais esta disciplina possuíria a finalidade de mostrar a importância do respeito entre as diferentes opiniões. Deste modo o Brasil através de um população crítica estaria rumo à efetiva democracia.