Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 21/10/2018
Por muito tempo o povo brasileiro se manteve calado quanto as mudanças políticas que o país vivia, como durante a independência e proclamação da república, dois eventos muito importantes históricamente, porém, que não tiveram participação popular. Contudo, com o avançar dos séculos, o “gigante acordou” e os cidadãos se tornaram mais politizados e passaram a reivindicar seus direitos. As manifestações populares são indubitáveis para o crescimento de um país, mas diversas vezes, mesmo ocorrendo pacificamente, são repreendidas pelo poder público, o que mostra a necessidade de discussão sobre o tema.
A priori, é preciso salientar que os movimentos populares têm grande valor político e social para o país. A liberdade de expressão, princípio muito cultuado durante o Iluminismo no século XVIII, é direito dos cidadãos e responsável pela formação de uma sociedade mais justa. Dessa forma, as pessoas vão, há décadas, lutar publicamente por melhores condições de vida, como aconteceu no movimento denominado “diretas já”, que ocorreu devido à insatisfação popular com a forma de eleição executada durante a Ditadura Civil-Militar iniciada em 1964. Em sequência,foi promulgada Constituição de 1988, que assegurava eleições diretas para presidente, como o reivindicado anteriormente.
Todavia, mesmo se mostrando essenciais, as manifestações têm um longo histórico de repreensão por parte das autoridades públicas. Washington Luís, último presidente da República Velha, ficou marcado por defender a seguinte frase " questão social é caso de polícia", ou seja, qualquer manifestação popular, mesmo que busque apenas a defesa da plena cidadania,deve ser repreendida. Esse comportamento tenta inibir à liberdade de expressão do cidadão e foi muito visto nas manifestações que ocorreram em 2013 no Brasil, quando o lema " o gigante acordou" tomou as ruas, que foram fortemente combatidas em alguns momentos, como no caso relatado pela Folha de São Paulo,que teve uma repórter atingida por uma bala de borracha no olho.
Destarte, urge à necessidade de dar continuidade a manifestações populares pacíficas em busca de melhores condições. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, órgão assegurador de um ensino de qualidade para o Brasil, faça uma cartilha para os professores, que instrua-os a falar mais da importância das manifestações e como essa servem para evitar a alienação política.Essa ação irá criar seres mais pensantes, já que como explica Noam Chomsky “o Estado não é agente moral, as pessoas são”. Outrossim, as academias de treinamento de policiais, órgão responsável pela formação dessas autoridades, devem fazer um treinamento específico para esses profissionais sobre como se deve proceder diante manifestações populares, para assim evitar conflitos entre militantes e policiais e não regredir para épocas como a Independência e Proclamação da República.