Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 30/10/2018

Antes de cometer suicídio, ao ingerir barbitúricos, em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig deixou uma declaração agradecendo ao Brasil por ter lhe acolhido tão bem. Radicou-se aqui devido à perseguição nazista na Europa. Fascinado com a nova casa, Zweig redigiu uma obra cujo título ufanista ainda reverbera: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando observados os problemas das manifestações populares hodiernas, conclui-se que sua visão não se materializou. Nesse âmbito, dois aspectos são preponderantes: a intolerância com as ideias contrárias e a violência de alguns movimentos.

Em primeiro lugar, é preciso que todos respeitem e saibam conviver com as divergências existentes. Foi nesse sentido em que o movimento iluminista, ocorrido durante o século XVIII, alicerçou-se na defesa da liberdade de expressão, tendo essa bandeira sido marcada pela frase atribuída ao filósofo Voltaire: “posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la”. Contudo, apesar da conquista desse direito ter sido árdua, verifica-se que a polarização política que assola o país há alguns anos, fez crescer a aversão à ideias alheias, sendo essa repulsa se manifestada até mesmo de forma truculenta, como noticiada pelos diversos veículos de comunicação espalhados pelo território nacional.

Além disso, não se conseguirá construir uma nação aberta às diferentes ideias se alguns grupos exercerem seu direito de manifestação de forma violenta. Desta forma, as Jornadas de Junho ocorridas no Brasil, no ano de 2013, ainda que tenham mostrado aos governantes a força que a população tem, se mostraram um problema já que uma parcela dos movimentos agiam de forma autoritária e com o aval de muitas pessoas, depredando patrimônios públicos e privados, o que viola as regras básicas de convivência da sociedade moderna. Sendo assim, há grandes chances de que o caos impere e, assim, viole a ordem democrática tão difícil de ter sido estabelecida.

Destarte, visando mitigar os problemas das manifestações populares do século XXI, cabe ao Ministério da Educação, a implementação no currículo escolar de aulas de debate sobre diversos temas que circundam a sociedade brasileira, para que dessa maneira os jovens aprendam desde cedo como debater de forma democrática e pacífica. Ademais, faz-se necessário que as secretarias de segurança pública, em atuação conjunta com os líderes de movimentos sociais e coordenadores de manifestações, estabeleçam uma cartilha a ser seguida tanto para atuação das forças policiais quanto para as atividades dos grupos em dias de protestos, a fim de que se impeça a violência estatal e também de grupos extremistas, preservando o bem-estar e a ordem.