Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 22/03/2019
A consolidação das redes sociais ocorrida no princípio do século XXI dinamizou a relação entre o estado e a sociedade. Com elas, o tempo entre uma ação (ou omissão) do estado e a reação da sociedade diminuiu muito. Além disso, o alcance das manifestações populares aumentou.
Além de facilitar a organização e aumentar as aglomerações de pessoas, as redes sociais tornaram possível divulgar imagens das manifestações em tempo real para todo o mundo. Consequentemente, os governos ficaram muito mais pressionados, tanto no plano interno, quanto no plano externo. Seus atos passaram a ser mais visíveis e as reações tornaram-se mais fortes. Repressões violentas passaram a ser evitadas para não sensibilizar a comunidade internacional.
Como consequência, essa nova plataforma de disseminação de idéias e mobilização de pessoas acelerou os processos de reciclagem ideológica. Para o cientista político estadunidense Roberto Dahl, ideologia é justamente a camada do poder mais externa e mais abrangente. Decorre disso que uma parte do poder que antes se concentrava no governo, agora está diluído na sociedade.
Esse processo, apesar de ser positivo, é perigoso. Por exemplo: jovens de orientação nazista que estão distribuídos pelo mundo e que em outros tempos não se conheceriam, agora podem se encontrar e se organizar pelas redes sociais. Cabe ao estado, a fim de impedir retrocessos civilizatórios e sempre respeitando as liberdades individuais, monitorar as redes e neutralizar eventuais insurgências com viés violento ou totalitário. Além disso, é importante modernizar a legislação para adequá-la a essas novas demandas.