Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 07/06/2019
As manifestações no decorrer da história sempre tiveram papel importante para expor os pontos de vista e as ideias de um povo. A partir da revolução francesa esse processo ganhou ainda mais repercussão e o poder que a população exerce sobre as instituições tornou-se visível. Atualmente, esse exercício permanece como um dos principais instrumentos para a realização de mudanças sociais. Desse modo, com a evolução dos processos técnico-informacionais essa ferramenta torna-se mais complexa, o que cria a necessidade do debate sobre como a população exerce essas manifestações.
É valido considerar, antes de tudo, o papel da globalização da comunicação na formação das manifestações do século XXI. Segundo o sociólogo Michel Foucalt, as relações de poder são trocas entre os indivíduos e as instituições e não seguem um fluxo unidirecional. Nesse sentido, antes da revolução informacional, o governo, muitas vezes, reprimia o povo e não permitia que esse obtivesse autonomia de pensamento. No entanto, com a mudança radical no acesso à informação o poder tornou-se de forma contundente multidirecional. Sendo assim, como consequência desse processo ocorreu a Primavera Árabe, que resultou na queda de diversos ditadores devido à manifestações organizadas nas redes sociais.
Cabe apontar também as consequências negativas desses novos processos. Visto que o princípio das manifestações é tornar as ideias públicas para conquistar mudanças sociais, com a internet, as pessoas obtiveram maior possibilidade de expor suas ideias. No entanto, esse volume de informações resulta em uma dissolução de temas e um menor poder de organização a favor de um problema específico. Esse fato pode ser observado nas manifestações que ocorreram no Brasil em 2013, em que devido à heterogeneidade das propostas a negociação ficou complexa e as mudanças foram quase insignificantes.
Fica claro, portanto, a necessidade da instrução da população para a utilização consciente dessa ferramenta de grande importância social. Sendo assim, é dever da escola, com apoio da família, criar um senso crítico nos alunos realizado por meio de atividades no contra turno, como debates relacionados aos acontecimentos políticos relevantes para a sociedade, para que eles sejam estimulados a obterem um filtro racional em relação às informações que recebem nas redes sociais. Ademais, a família deve explicar para seus filhos a importância da propagação de ideias e como isso deve ser filtrado para não resultar em um local que as informações possuem pouca credibilidade. Somente assim, as manifestações aliadas aos novos processos informacionais serão utilizados de forma consciente para a obtenção de uma sociedade mais justo e com equidade.