Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 13/06/2019

No Brasil, em 1964, houve uma série de protestos (denominados de: marcha da família com Deus pela liberdade) contra uma possível ameaça comunista por parte do então presidente, João Goulart. Da mesma forma, um século depois, as manifestações continuam sendo uma das maiores vozes da população, ainda assim, parte da sociedade encara a penas como bagunça. Entretanto, a partir de qual ponto de vista essas reações da sociedade são apenas balbúrdia?

Primeiramente, deve ser analisado como as manifestações se tornaram a voz da população. Indubitavelmente, em um país democrático e com tamanho continental (como o Brasil), os governantes não vão conseguir atender as expectativas de todos os indivíduos, assim, a forma que a sociedade encontrou de ter voz, antes das eleições, foi organizando passeatas através dos jornais (hoje pela internet) indo para rua para serem escutados. Como exemplo, pode ser citado os protestos contra o acréscimo de 20 centavos nas passagens de ônibus e trens, em meados de 2013 no Brasil. Sabe-se, inclusive, que a constituição reconhece esse direito, contudo, alguns indivíduos encaram esse direito de forma marginalizada.

Ademais, deve ser discutido de qual ponto de vista esses protestos são apenas balbúrdia. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade liquida trás consigo a fragilidade das relações humanas, através disso é possível perceber como as bolhas sociais impedem o diálogo entre pessoas com opiniões distintas. Prova disso é quando houveram as manifestações contra o corte de gastos das instituições privadas o atual presidente, Jair Bolsonaro, deixou claro a imprensa que achava os participantes da passeata idiotas e inúteis, todavia aplaudiu quando houveram manifestações a favor do seu governo. Ou seja, essas reações da sociedade só possuem valor quando estão de acordo com as próprias opiniões, deixando claro que não entenderam o real sentido de uma democracia.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar esse impasse. Para isso deve a mídia incentivar o dialogo entre pessoas de opiniões divergentes através de propagandas que deixam claro o valor da democracia, isso deve ser feito da seguinte forma: cada propaganda um tema diferente com pessoas que nunca se viram conversando e expondo oque as levou ter determinada opinião. Por conseguinte, a população conversará e perceberá como as manifestações são importantes e que não se trata apenas de bagunça, evitando até mesmo conflitos durantes as passeatas. Dessa maneira, quem sabe um dia o atual presidente não insultará a população do país no qual governa.