Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 02/08/2019
Em sua obra “Em busca da política”, o sociólogo Zygmunt Bauman, falecido em janeiro de 2017, afirma que “tendemos a crer que pouco podemos mudar – sozinhos, em grupo ou todos juntos – na maneira como as coisas ocorrem ou são produzidas no mundo”. É com essa crença de impotência que poder público e coletividade têm, de forma ainda muito tímida e pouco assertiva, encarado a questão das manifestações populares no século XXI no Brasil. Logo, é imperativo um maior engajamento desses atores sociais no inadiável enfrentamento desse problema.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, muito em função da ineficiência do governo, a falta de segurança durante essas reuniões corrobora para não exercício pleno da cidadania. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, autor da célebre obra “Leviatã”, é papel do Estado manter a nação em harmonia social. Em contrapartida, a prerrogativa hobbesiana não é garantida, uma vez que muitas manifestações acabam em casos de violência e em coerção policial violenta - inviabilizando que esses movimentos reivindiquem de forma pacífica por melhorias. Dessa maneira, é mister que as prefeituras, por meio do aporte financeiro do Ministério da Segurança Pública, disponibilizem locais seguros para essas manifestações, além de cursos de treinamento para os policiais que irão assegurar esse exercício de direito. Assim, torne-se possível que a União cumpra a sua função.
Ademais, a falta de discussão nas entidades de ensino sobre a importância das manifestações agrava ainda mais essa problemática. Um bom exemplo disso é boa parte da sociedade a qual não entende a importância desses atos e atribui nomes pejorativos aos manifestantes. Isso deixa perceptível que a nação é extremamente desinformada sobre o tema, por conseguinte não entende o papel social desses atos nem os efeitos no seu dia a dia. Por isso, cabe às ONGs, com apoio financeiro e direcionamento das escolas, criarem aulas e rodas de debate nos finais de semana, para toda comunidade participar, através de palestrantes e de oradores instruídos e de voluntários que detalhem sobre a importância das manifestações, como afeta a vida do brasileiro e as mudanças ocorridas graças a ela. Consequentemente, o cidadão conscientizar-se-ia do seu papel crítico na sociedade.
A inabilidade do Estado aliado ao desconhecimento do cidadão sobre o tema são, portanto, entraves para que as manifestações cumpram sua função social. Para tanto, além das medidas citadas, os canais de TV aberta têm o papel de criar narrativas ficcionais engajadas, novelas e séries, e reportagens que tratem da importância desse exercício da cidadania, haja vista que a televisão chega com facilidade a todos locais e tipos de público. Somente assim, observado o engajamento de todos, o país vencerá sua crença de impotência e estará mais próximo de superar esse enorme desafio.