Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 31/08/2019
A “Primavera Árabe”, foi uma série de revoltas populares que eclodiram em mais de dez países no Oriente Médio e na região norte da África. A Tunísia foi o berço de revoluções que se espalharam pelas nações vizinhas em oposição às altas taxas de desemprego, precárias condições de vida, corrupção e governos autoritários. Tais acontecimentos provocaram a retirada de ditadores do poder, mostrando que a participação ativa dos cidadãos pode mudar um cenário político. Logo, as insatisfações da sociedade perante à política acontecem ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que também exerce este direito de livre manifestação com o objetivo de promover mudanças sociais.
Em primeiro lugar, cabe destacar a importância do voto, direito adquirido à partir de 1821, como meio do cidadão participar das decisões do seu país. Porém, somente esse direito não é suficiente para exercer a democracia devido à descrença política existente no Brasil causada pela corrupção e, à falta de investimentos em conceitos básicos, por exemplo, gerando a insatisfação dos eleitores. Assim, os brasileiros buscam lutar ativamente por meio de manifestações como forma complementar ao sufrágio, pois, de acordo com Rui Barbosa, antigo diplomata brasileiro, “quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles”.
Por este motivo, uma onda de protestos atingiu o país, em 2013. A frase “não é só por 20 centavos” foi o marco das revoltas contra o aumento no preço das passagens de ônibus em São Paulo. Dessa forma, o sentimento catártico de insatisfação incentivou uma série de manifestações por todo território nacional cobrando não só a diminuição do valor do meio de transporte, mas também melhorias em saúde, habitação, educação, entre outros. Posteriormente, foi possível perceber como a força popular pode ter poder de mudança no panorama de um país assim como já teve antes, por exemplo, com o movimento dos “Caras Pintadas” pelo impeachment do ex presidente Fernando Collor, onde, jovens saíram às ruas com as caras pintadas pelas cores da bandeira do país a fim de reivindicar seus direitos.
Fica evidente, portanto, que a participação popular é essencial para as transformações da sociedade. Consequentemente, é dever das escolas promoverem atividades - dinâmicas trabalhadas em grupo fomentando a participação mútua -, no contra turno das turmas, que estimulem o aprendizado sobre questões relacionadas à sociedade e à cidadania e não apenas o conhecimento de disciplinas obrigatórias fundamentais da grade curricular, apenas. Por meio de debates, discussões e palestras para que os alunos possam entender sobre ativismo cidadão político, importância do voto, papéis governamentais e, perceber como a participação ativa pode mudar o panorama político de um país e sermos dignos de nossos direitos a fim de fazer jus ao que fora apregoado pelo diplomata Rui Barbosa.