Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 16/10/2019

A Constituição Cidadã determina em seu primeiro artigo que “Todo poder emana do povo”, por certo, as manifestações populares são um instrumento social de mobilização praticado de maneira constitucional mediante o exercício da cidadania. Com isso, manifestar é um ato de expressão de um grupo que busca postular uma ideia ou reivindicação. Nesse sentido, os atos reivindicatórios no Brasil, que ganharam força, sobretudo, após a redemocratização do país em 1988, denunciam a crise representativa da política hodierna e buscam promover mudanças sociais.

Convém destacar, a priori, que os conflitos sociais têm aflorado de maneira intensa em vários momentos da história brasileira, orientados pelo sentimento de frustração e decepção com as instituições de dado período. De fato, a política representativa demonstra sinais de falibilidade conforme abandona seu exercício inicial, que é representar a cidadania e os anseios da sociedade. Com efeito, ao Estado sobram críticas aos escândalos que permeiam a administração pública e ao contingenciamento de verbas de setores sociais, como saúde e educação. A exemplo disso, o primeiro semestre do ano de 2019 ficou marcado por mobilizações estudantis contrárias à redução de 20% nos investimentos nas Universidades públicas.

Outrossim, a frase “Não é só por 20 centavos” tornou-se um marco das Jornadas de Junho de 2013, e buscou ampliar o movimento além das críticas ao aumento das passagens do transporte público. Dessa forma, o sentimento catártico de insatisfação incentivou uma série de manifestações por todo território nacional cobrando por melhorias em vários setores básicos, como a saúde, habitação, educação, entre outros. Logo, foi possível perceber como a força popular tem poder de mudança no cenário do país, e, sob a ótica do antigo diplomata brasileiro, Rui Barbosa, “quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles”, o povo brasileiro busca tornar-se digno cada vez mais.

Diante disso, haja vista que o principal desafio da democracia representativa atual consiste em incorporar as novas formas de cidadania ativa, medidas são necessárias para esse contexto. Portanto, cabe ao Estado, mediante a atuação do Poder Legislativo e Executivo, buscar a inovação institucional, que deverá ser realizada por meio de uma ampla reforma política, a fim de restaurar a confiança do povo nas suas instituições. Além disso, cabe aos governantes locais buscar a aproximação mais direta com a sociedade, por intermédio da aplicação de novas tecnologias da comunicação, como redes sociais e aplicativos de conversa, com o intuito de incentivar o diálogo entre governantes e a comunidade local. Espera-se que, observadas tais ações, o povo alcance suas reinvindicações e promova a pacificação na sociedade.