Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 29/10/2019

As manifestações populares  longo da história, para o bem ou para o mal, precederam as grandes mudanças políticas e sociais em qualquer tempo ou local em que tenham ocorrido. No século XXI, no entanto, o domínio hegemônico do capitalismo em escala global e a consolidação das Novas Tecnologias de Informação e Comunicações (NTIC’s), em escala sem precedentes criam as condições, igualmente sem precedentes, para a eclosão de revoltas.

Em primeiro lugar, a ascensão do capitalismo e a globalização fizeram surgir grandes corporações que, poderosas, são capazes de subjugar Estados Nacionais. Sendo assim, os governos têm se ocupado quase que  totalmente com temas de interesses corporativos tanto públicos quanto privados. Esse fenômeno, antes restrito a regimes autoritários, alcançou as democracias indiretas a ponto de comprometer a funcionalidade do modelo. Por conseguinte, resta à população,  diante da crise de representatividade, o exercício do direito à manifestação.

Por outro lado, sem restrições, as NTIC’s possibilitam que as insatisfações sejam compartilhadas e impactem rapidamente o consciente coletivo. Essa dinâmica caracterizou, por exemplo,  as manifestações da Primavera Árabe e as ocorridas no Brasil em 2013. Diante dessa realidade torna-se evidente a necessidade adequação das práticas políticas aos tempos atuais.

É necessária, portanto, a adoção de modelos de governos que permitam a participação mais efetiva da sociedade civil, até como forma de viabilizar a sobrevivência dos Estados Nacionais. Cabe portanto, às entidades formadoras do terceiro setor (ONG’s, Conselhos de Classes, Associações, Fundações) o papel catalizar os anseios da população estimulando o exercício da democracia direta (propondo leis de iniciativa popular, plebiscitos, referendos, por exemplo) de modo a se contrapor às tendências, já explícitas, de degradação dos Estados e generalização de revoltas em escala global.