Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 14/01/2020
Manifestações sim. Violência não.
Ao longo da história, principalmente a partir do século XIX, percebe-se as aglomerações populares em prol de mudanças socioeconômicas, como melhores condições de trabalho, liberdade de expressão, igualdade de gênero, combate à corrupção, ao racismo e à violência. Essas manifestações possuem inicial e geralmente um caráter pacífico, apesar de, frequentemente, haver grupos infiltrados que acabam incitando violência e, portanto, convocando a atuação das forças policiais que acabam por dispersar e interromper o movimento, mesmo que temporariamente. Nesse sentido, torna-se necessário um trabalho conjunto da sociedade de modo a esclarecer e a educar os cidadãos dos seus direitos adquiridos para, assim, se fazerem ouvir pelos órgãos públicos.
A priori, percebe-se que no Brasil, durante o século XXI, devido à facilidade de comunicação via internet, há a organização de protestos de maneira relativamente rápida e eficaz, contribuindo ainda para o fomento da discussão dos impasses a serem expostos. Contudo, do mesmo modo como é direito do cidadão o debate e a exposição de ideias, é também garantido pela constituição brasileira o direito de segurança e da integridade da propriedade privada e pública. Nesse sentido, o uso da violência e a degradação do patrimônio público e privado, por partes dos manifestantes, força ao Estado utilizar o aparato policial, o que desvia o foco do protesto e, também, pode retirar parte do apoio da população à causa.
Em segundo lugar, deve-se notar que raramente há projetos para a elucidação e o debate do que é dever do cidadão e o que deve ser garantido à ele pelo Estado. Nesse viés, somente a criação dessa cultura, principalmente entre os jovens, poderá garantir ao indivíduo o desenvolvimento de senso crítico, de cidadania, permitindo-o a exigir o cumprimento da constituição brasileira de modo pacífico e eficaz.
Portanto, pode-se inferir a necessidade do Ministério da Educação estimular disciplinas facultativas nas escolas e faculdades que discutam direitos e deveres das pessoas por meio de debates, representação lúdica e teatral - visto o alto poder transformador das ações culturais - elevando-se, assim, o senso crítico, o conhecimento, a autocrítica, o sentimento de sociedade, principalmente entre os jovens, permitindo-as cobrarem melhorias e direitos, por meio de manifestações pacíficas, com alto poder de impacto social.