Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 31/05/2020

Em 1992, milhares de estudantes foram ás ruas de preto com os rostos pintados de verde e amarelo. Eles pediam o impeachment de Fernando Collor de Mello, o então presidente do país acusado de corrupção. O movimento ficou conhecido como “Caras-pintadas” e foi um marco na história recente do país. Todavia, apesar de tal fato datar de décadas passadas, ainda é notório a grande influência das manifestações populares no cenário político brasileiro. As insatisfações do povo em relação à política vão de corrupção a falta de investimento em direitos básicos. Nesse sentido, faz-se necessário usufruir do direito de livre manifestação com o objetivo de promover mudanças sociais.

Em primeira análise, vale ressaltar a importância do voto como meio do cidadão participar das decisões de seu país. Porém, somente esse direito não é suficiente para exercer a democracia devido a grande descrença no sistema político. Nesse sentido, a corrupção virou algo “comum” nos noticiários brasileiros, operações como a “Lava-Jato” e “Mensalão” foram cruciais para esse cenário. Assim, os brasileiros buscam lutar ativamente por meio de manifestações como forma complementar ao sufrágio, pois de acordo com Rui Barbosa, antigo diplomata brasileiro, “quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles”.

Por esse motivo, uma onda de manifestações assolou o país em Junho de 2013. A frase “não é só pelos 20 centavos” foi o marco das revoltas contra o aumento no preço das passagens de ônibus em São Paulo. Dessa forma, o sentimento catártico de insatisfação incentivou uma série de manifestações por todo território nacional cobrando não só a diminuição do valor do meio de transporte, mas também melhorias em saúde .

Portanto, ficou evidente a força popular que o país pode ter, assim como já teve antes, por exemplo, no movimento “Diretas já”, no qual foi crucial para a volta da democracia depois de 21 anos de Ditadura Militar. Fica evidente, portanto, que a participação popular é essencial para as transformações da sociedade. Consequentemente, é dever das escolas promoverem atividades, no contra turno das turmas, que estimulem o aprendizado sobre questões relacionadas à sociedade e à cidadania e não apenas o conhecimento de disciplinas obrigatórias como português e matemática, apenas. Por meio de debates, discussões e palestras para que os alunos possam entender sobre política, importância do voto, papel dos governantes e perceber como a participação ativa pode mudar o cenário político de um país e sermos dignos de nossos direitos para fazer valer a frase de Rui Barbosa.