Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 12/06/2020
Ocorrida em 1904, a Revolta da Vacina reivindicava a arbitrariedade governamental contra a população. No entanto, no que tange ao hodierno cenário de manifestações populares, as mesmas parecem estar mais ativas devido as falhas sociais herdadas e o lapso do Poder Público. Sob essa perspectiva, é válido averiguar como a negligência política e insatisfação da massa interferem diretamente no imbróglio.
Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática. Segundo o filósofo Rousseau em seu livro “Do Contrato Social”, é preciso que o Estado mantenha uma mútua relação com a sociedade para que essa tenha um bom funcionamento. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto a efetivação da vontade geral, haja vista o descaso para com ações públicas. Assim, a falta de investimentos em infraestrutura, não transparência nos feitos governamentais e repressão aos movimentos de protesto, explicitam a urgência de mudanças no suposto plano democrático.
Ademais, é indispensável salientar a identificação de direitos pela nação como catalisador do empecilho. De acordo com o conceito de “Violência Simbólica” desenvolvido pelo pensador Pierre Bourdieu, essa seria uma forma de violência exercida pelo corpo sem coação física que segue critérios e padrões do discurso dominante. Nesse sentido, depreende-se a indignação do corpo social e necessidade de luta por injustiças sofridas pelas minorias mal representadas. Dessa forma, se faz imprescindível a realização dos movimentos sociais de modo que são capazes de externar as mazelas do não cumprimento da lei.
Portanto, indubitavelmente, é preciso que as manifestações populares sejam pacíficas e respeitadas no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, como entidade responsável pelos assuntos do Poder Judiciário, atuar em prol da população, por intermédio de uma restruturação na força policial que coíbe brutalmente as manifestações, com o fito de garantir a segurança e possibilitar o ato democrático. Dessa maneira, ter-se-á um país diferente daquele vivenciado na Revolta da Vacina e livre da repressão.