Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 16/06/2020

Toda grande revolução parte de uma consciência, a partir dessa, há mudança. Haja vista, a revolução no Haiti, os quais os negros, a partir de uma indignação reivindicaram seus direitos, como seres humanos, e conseguiriam se instituir como país. Sob esse viés, toda consciência política fomenta atitude, seja essa a revolução ou a manifestação, que é a expressão constitucional de uma realidade que necessita transformação. Dessa maneira, as causas das manifestações em evidência no século XXI se deve ao não cumprimento dos direitos humanos e ao não cumprimento da lei em sua plenitude.

Cabe salientar, em primeiro plano, que no Brasil houve um genocídio indígena quando os portugueses desembarcaram no país pela primeira vez, que é explicitado no documentário “Guerras do Brasil” da plataforma “Netflix” e, desse então, os índios são alvos de assassinatos e injustiças. À vista disso, tem-se que o principal objetivo da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) é a demarcação das terras indígenas. Entretanto, com a crescente monocultura fundiária, essas terras tem sido invadidas, com resistência por parte dos indígenas, visto que tais terras são seu lar, posto isso, são realizadas diversas manifestações contra essa invasão. Logo, ainda que a mídia e o governo, tentem mostrar uma realidade a qual as manifestações de indignação e injustiça são equivocadas, e até mesmo erradas, elas são unicamente a expressão da necessidade da mudança e, por isso, é tão necessária para as classes menos favorecidas e tão temida pelas classes dominantes.

Outro fator a se considerar, em segunda análise, é o artigo 5 da Constituição Brasileira, o qual assegura os direitos a vida, a liberdade, a igualdade, entre outros. Diante disso, se tem a realidade, a qual é a antítese desse artigo, posto que mulheres ganham menos que os homens, negros são maioria nos presídios, à medida que são minoria nos empregos de alto escalão, além do Brasil ser um dos países com maiores desigualdades sociais. Com isso, torna explícito o quão essenciais são as manifestações populares, tais como as “Vidas Negras Importam” e as feministas, pois as manifestações não são badernas, são apenas um sinal de que os direitos mínimos de humanidade não estão sendo cumpridos em sua plenitude, a constituição pode até ser “cidadã”, todavia não é essa a verdade acerca da realidade. Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem a problemática vigente que fomenta as manifestações no século XXI. Nesse contexto, a FUNAI junto com ONGs devem promover grandes simpósios, em que haja a presença de grande parcela da sociedade, o que será possível mediante a parcerias entre influenciadores digitais solidários a causa, os quais explicitem a necessidade das manifestações e o quão importante é a adesão ao movimento para que se assegurem, efetivamente, as terras indígenas que um dia foram deles. Além disso, a mídia, em especial, as redes sociais, devem se aderir aos movimentos e os apoiarem divulgando as causas das manifestações e vídeos que relatam as lutas e a realidade vivenciada por muitos, a fim de causar comoção e convencer outras pessoas a participarem dos protestos e, por fim, conseguir-se cumprir o artigo 5 da Constituição. Assim, se implanta das tais medidas poderá se criar na sociedade brasileira uma consciência tão forte quanto a existente na revolução haitiana, sobremaneira que não necessitará mais de manifestações, pois elas já cumpriram seu papel de denúncia e transformação.