Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 30/06/2020
Na década de 80, insatisfeitos com a ditadura militar vigente, o movimento popular de “Diretas Já” reivindicou a retomada das eleições diretas ao cargo de presidente da República do Brasil. Nesse contexto, percebe-se como as manifestações populares são agentes protagonistas quando em busca de mudança social. Desse modo, cabe analisar os motivos de a população escolher as ruas para contestar governos ou injustiças sociais e até que ponto os protestos deixam de ser legítimos à pura arruaça.
Diante disso, a história é responsável por destacar diversos momentos onde o povo lutou pelo direito de expressar seus pensamentos e contra as discrepâncias socioeconômicas. Sob tal ótica, pode-se citar as revoltas do período regencial, entre 1831 e 1840, em que a minoria procurava combater o descaso governamental, ou seja, mesmo antes da proclamação da república os movimentos populares foram as opções escolhidas como ferramentas para melhorarem um cenário caótico. Atualmente, o Brasil enfrenta uma onda de manifestações antirracistas, almejando maior visibilidade a esse público que, mesmo 132 anos após a abolição da escravatura, continuam alvos de injustiças por autoridades públicas e sendo marginalizados pela sociedade.
Paralelamente, vale ressaltar que a Constituição Federal, em seu inciso XVI do artigo 5º, aprova no país o direito de todos reunirem-se pacificamente, sem armas, em locais aberto ao público, independentemente de autorização. Entretanto, é importante definir limites quanto à proporção que protestos podem atingir. Nesse sentido, é importante não só que os cidadãos possam exercer seu direito, mas que também estejam conscientes de seu dever. Isso significa que, muitas vezes, a eclosão de movimentos pode tomar rédeas não tão pacíficas, havendo depredação de lojas e patrimônios públicos. Balancear as emoções afloradas, portanto, é necessário para que o ódio e o extremismo não transformem lutas sociais em criminalidade.
Assim, é inegável a relevância dos movimentos sociais para o alcance de direitos universais e, pois, garantir a sua legitimidade em sociedades democráticas é essencial. Para tanto, o governo, junto aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, deve aderir aos protestos, optando por dialogar com os representantes de cada movimento enquanto visa alcançar o que é mais benéfico para ambas partes, ao invés de reprimi-los. Ademais, compete às instituições escolares despertar o senso crítico de seus alunos por intermédio de discussões atuais, como política e a distribuição desigual de renda, e utilizando-se do passado como forma de comparação com o presente.