Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 27/06/2020

Primavera árabe. Movimento negro. Primavera feminista. Não se pode negar o crescente número de movimentos em busca de igualdades jurídicas, civis e sociais mundo afora. Dentro desse contexto, no Brasil, cada vez mais grupos minoritários organizam-se para tais conquistas. Contudo, há dois problemas que vai de encontro a essas lutas:  o preconceito e a dificuldade de se obter o que é previsto pela constituição. Diante disso, analisar o atual cenário brasileiro é fundamental para modificar as desigualdades.

É importante considerar, antes de tudo, a formação social das culturas, baseadas no patriarcalismo e no machismo. Sob essa lógica, o preconceito presente no atual contexto encontra raízes medievais. Prova disso é os elevados números de feminicídio em pleno século XXI. Além disso, o Brasil é o país que mais assassina LGBT+ (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) no mundo, segundo uma reportagem da revista Galileu, quadro que demonstra as discrepantes realidades presente no panorama brasileiro e ratifica a importância das manifestações populares para modificar esse cenário segregacionista.

Outrossim, é válido ressaltar, ainda, que a burocracia contribui para a lenta modificação política e jurídica. Seguindo esse raciocínio, a inércia legislativa dificulta a conquista de direitos, principalmente das minorias. Acerca dessa premissa, o movimento dos trabalhadores rurais luta para conseguir na prática a reforma agrária em terras que não cumprem sua função social, algo previsto pela lei , contudo, dificilmente aplicado. Sob esse aspecto, em consonância com o filósofo Aristóteles, o princípio de equidade, dar a cada um o que é devido, de acordo com a constituição de 1988, não é respeitado na íntegra. Nessa perspectiva, tal conjuntura desencadeia inúmeros conflitos entre aqueles que buscam por mudanças sociais e os que são contra, demonstrando a necessidade de reformulações jurídicas.

Em suma, entende-se que  as manifestações sociais encontram entraves devido aos pré-julgamentos atrelados à papelocracia existente no país. Para tanto,  é fundamental uma ação conjunta, na qual a mídia será responsável por trabalhar o sentimento de empatia na população, por meio de ficções engajadas que mostrem o quão plural é a sociedade e a importância de respeitar cada grupo, ao afirmar a legalidade das manifestações populares na busca por garantir direitos constitucionais, a fim de mitigar os preconceitos.Concomitantemente, cabe ao ministério da justiça garantir a aplicabilidade do que está previsto na lei, criar e fiscalizar regulamentos que respeitem as necessidades das minorias, ao atender às reivindicações dos movimentos. Dessa forma, o país passará a respeitar os pilares democráticos na íntegra.