Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 26/07/2020
A voz do povo é a voz de Deus
Estados Unidos, Hong Kong, Brasil, Chile. Esses foram alguns dos países que protagonizaram, nos últimos dois anos, manifestações populares. Três continentes, quilômetros de distância, culturas opostas e, mesmo assim, ideais que se esbarram. Impulsionadores dessas demonstrações populares, o desentendimento com o passado aliado da potencialização dos acontecimentos proporcionada pela internet, explicam os motivos de tantos descontentamentos ao redor do globo.
Em 1985, foi declarado o fim da ditadura militar no Brasil: medidas autoritárias foram desfeitas, uma assembléia constituinte foi formada, e todos os responsáveis estavam em vias de serem punidos. Certo? Na verdade não. Percebendo a queda iminente do regime ditatorial no país, os últimos líderes de governo militares redigiram e oficializaram a chamada “Lei da anistia”, que perdoava a maioria dos crimes contra a humanidade do período. Essa medida ecoa até os dias de hoje, explicitando nosso desentendimento com o passado fascista, e nos obrigando a conviver com o chavão de Burke, “um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la”. Dessa maneira, embasadas na luta contra a opressão, várias das manifestações populares chegam em tempos oportunos, compelindo o povo na luta por direitos, e na guerra contra a arbitrariedade.
Além disso, o advento da internet proporcionou formas inimagináveis de compartilhamento de informações, levando dados e casos importantes em questão de segundos para toda uma rede de manifestantes. Os protestos de Hong Kong,que vem acontecendo desde 2019,provam esse ponto de vista: na tentativa de dispersar a luta contra a censura, o governo chinês passou a vigiar as redes sociais de seus cidadãos; mesmo assim, os moradores da cidade conseguiram burlar as proibições e ocultações de conteúdo utilizando-se de aplicativos como o “Tinder”, originalmente projetado para o encontro de parceiros amorosos, e o “Uber”, serviço de transportes privados, mantendo a continuidade de suas demonstrações populares.
Dessa maneira, fica a clara a ligação entre as manifestações que permeiam o século XXI, que mesmo recente contabiliza várias, e nosso desentendimento com o passado, além é claro das novas tecnologias de propagação de conteúdo. Cabe ao Estado, portanto, investir em políticas de conscientização midiáticas, que coloquem à disposição do povo, por meio de palestras presenciais e on-line, informações necessárias para completo entendimento dos períodos autoritários, protagonizadas por nomes de grande reconhecimento tais quais Mário Sérgio Cortella e Bóris Fausto, como também apoiar quaisquer manifestações, afinal, o povo é sempre soberano.