Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 30/11/2020
Na mitologia grega, Teseu derrotou o Minotauro ao portar apenas uma espada e um novelo de lã. Fora da ficção, o mito adapta-se à temática das manifestações populares em evidência no século XXI. À luz disso, apesar da lenta e gradual conquista de direitos pelos cidadãos, ainda existem muitas pautas que precisam ser discutidas. Para tanto, é fundamental que o Estado reveja a forma com que enxerga as reivindicações das massas de desfavorecidos e que, paralelamente, a sociedade civil se organize em entidades que proponham protestos que não agridam nem destruam, com a finalidade de, por meio do diálogo, soluções serem encontradas.
A priori, segundo o ex-presidente da República, Washington Luís: “A questão social é um caso de polícia”. Sob esse prisma, fica evidente o caráter punitivo do pensamento dos governantes, os quais aplicam o poder de forma hierárquica e violenta - por meio da polícia e do Exército - contra quem manifesta sua opinião ou necessidade. Hodiernamente, o entendimento dos políticos segue igual ao do representante da República Velha – visto que, apesar de não ocorrerem atitudes violentas por parte dos que protestam, a ordem do Estado é a repressão automática. Prova disso foi a agressão - aplicada por policiais - contra estudantes em um protesto pacífico na cidade de São Paulo no ano de 2016.
A posteriori, de acordo com o escritor brasileiro Augusto Cury: “Frágeis usam a violência, e os fortes, as ideias”. Sob essa ótica, a organização dos movimentos deve estabelecer estratégias que evitem a participação de vândalos e extremistas. Devido à ação destrutiva dos mesmos, fica claro que a luta deve ser feita por meio da conversa. Desse modo, a participação de órgãos de segurança pública é essencial para a blindagem do movimento, com o objetivo de evitar os atos indesejáveis de pessoas infiltradas e radicais. Nesse panorama, um dos protestos que sofreram com a presença pontual de pessoas mal-intencionadas foi o que sucedeu à morte de George Floyd, nos EUA, em 2020, em que indivíduos aproveitaram a situação para saquear lojas e vandalizar o patrimônio público.
Logo, é mister que o Ministério da Justiça e Segurança Pública dialogue com o Ministério da Defesa com o intuito de revolucionar a forma com que a polícia e o Exército lidam com os movimentos populares. Outrossim, é vital que os membros da sociedade civil se articulem em torno de entidades que preguem a paz quando houver a necessidade de protestar. Desse modo, com uma relação mais harmoniosa entre agentes da segurança e manifestantes – obtida por meio do debate entre organizações sociais e órgãos responsáveis pelo comando da força estatal –, será possível modificar a relação conflituosa entre os mesmos. Assim, ao valer-se do novelo de lã da pacificidade, a espada da violência cairá em desuso.