Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 29/11/2020

As manifestações populares fazem parte da história das civilizações humanas ao longo da história, e marcam o dinamismo das sociedades e das relações individuais com o coletivo; um bom exemplo disto foi a Revolução Francesa, que transformou fundamentalmente as sociedades ocidentais e pôs fim ao sentimento de conformismo político diante do absolutismo da época. Já atualmente, os protestos do século XXI ainda mantém o pensamento de determinação social por mudanças, que foi originado na Revolução, porém, sua principal marca é a coordenação online, que ocorre através das redes sociais digitais e mobiliza um número maior de participantes.

Em princípio, a mudança da coordenação destas manifestações se decorre ao uso cada vez mais presente das redes sociais no dia a dia da população, impulsionado pelo acesso nos celulares. Durante o ano de 2009, uma série de protestos ocorridos no norte da África e Oriente Médio foram ordenados nas redes sociais e culminaram na queda de regimes autoritários nessas nações, esta por sua vez ficou sendo chamada de “Primavera Árabe” e exemplifica bem as novas relações entre as redes de comunicação popular na internet e as manifestações políticas.

Por sua vez, no Brasil esses tipos de protestos ordenados nas redes, ocorreram no ano de 2013, desencadeados pelo aumento das passagens de ônibus em São Paulo, rapidamente ganharam apoio em outras cidades e até mesmo de artistas, como Beyoncé. Os ideais defendidos nestes primeiros protestos, que era de confronto à decisão do aumento preço de um serviço público que é essencial para a população mais pobre, deu lugar através de uma subversão e manipulação de ideais por grupos específicos nas redes sociais à atos que eram essencialmente liderados por grupos de direita e posteriormente resultaram no impeachment da então presidenta Dilma, em maio de 2016, apoiado por grupos populares manipulados por ideias espalhadas na rede.

Diante dos fatos apresentados, faz-se necessário uma análise crítica por partes dos participantes dessas manifestações sobre os ideais defendidos e suas reivindicações para que os mesmos não sejam manipulados, deste modo reforçando a importância das manifestações populares para a constituição plena das democracias e pela busca de direitos fundamentais diante da rápido mudança das dinâmicas sociais.