Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 20/11/2020

Durante o domínio da Índia pelos britânicos, na década de 1940, a figura de Gandhi fortaleceu-se sobre os princípios da desobediência civil, uma forma de protesto social. Contudo, as manifestações transformam-se com o surgimento de novas urgências e visões do século XXI. Sob tal perspectiva, esse cenário comunica-se com aspectos importantes da vida social, como liberdade de expressão e participação política da sociedade.

A princípio, de acordo com Jean-Paul Sartre, o ser humano é condenado a ser livre. Nessa lógica, a violência policial contra manifestações populares confronta o pensamento do filósofo francês, uma vez que os cidadãos têm o direito, conforme a Constituição brasileira, à liberdade de protestar impedido pela repressão. Dessa forma, o país passa a ser um ambiente pouco democrático, no qual as relações de coerção e repressão predominam – como é visto com as manifestações de grupos marginalizados, como o “Black Lives Matter” norte-americano, o “Pussy Riot” russo, os “Coletes Amarelos” franceses, entre outros. É necessária, então, a dissolução dessa conjuntura.

Além disso, segundo Aristóteles, a participação política é dever de todos os cidadãos. Nesse sentido, manifestações e protestos populares concordam com a ideologia do filósofo grego, visto que são o mecanismo pelo qual grupos podem expressar suas opiniões e demandas ao poder público – ou seja, participar da política –, responsável pela garantia do bem-estar geral. Com base nisso, as manifestações seguem as normas da democracia representativa, adotada por quase todos os países ocidentais, e devem ser respeitadas e consideradas pelo governo, dado que este existe em função de seu povo.

Portanto, é dever do Estado incentivar a participação política dos cidadãos e compreender suas insatisfações, por meio da transparência ao considerar as demandas feitas pelos manifestantes – com discussões diretas entre representantes do governo e dos grupos sociais, plebiscitos, referendos etc. –, de modo a garantir um ambiente mais democrático. Ademais, também é necessário, por parte do Estado, diminuir a violência policial nos protestos, por meio do preparo da polícia com treinamento e conscientização, por exemplo, a fim de reprovar atitudes agressivas de ambos os lados (policiais e manifestantes). Com isso, a partir dessas ações, será possível estabelecer uma relação harmônica entre poder público e população.