Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 23/11/2020
Clístenes, considerado o pai da democracia, defendia que o poder deve emanar do povo, ou seja, é ele que deve tomar as decisões dentro de uma sociedade. Porém, ao analisar a realidade brasileira, observa-se que a população está cumprindo um papel passivo diante do cenário atual e, assim, deixando de lado a principal ferramenta democrática: a manifestação popular. Nessa perspectiva, pode-se dizer que a ignorância acerca de tal ferramenta gera como consequência a estabilidade no hodierno âmbito político.
A princípio, cabe destacar a falta de conhecimento a respeito dos exercícios da cidadania. Segundo dados do Instituto Ipsos, 94% dos eleitores não se sentem representados pelos políticos que estão no poder e nem pelas medidas que estão sendo tomadas. Sob essa perspectiva, vale destacar que o brasileiro tem uma visão equivocada a respeito da execução da democracia, pois considera que apenas o voto é suficiente, esquecendo, assim, das fiscalizações e cobranças que devem ser feitas. Portanto, se os cidadãos tivessem esse entendimento, o sentimento de falta de representatividade no Governo não seria tão alto.
Por conseguinte, não há a manutenção do status quo. De acordo com o físico Isaac Newton, um corpo tende a ficar em repouso a não ser que alguma força seja exercida sobre ele. De forma análoga, o atual cenário brasileiro não se modificará sem que a população se mobilize a respeito. Como exemplo, vale citar o movimento “Diretas Já”, feito durante a Ditadura Militar, que reivindicava o regime democrático por meio de eleições presidenciais diretas no Brasil. Com isso, os resultados dessa pressão popular apareceram pouco tempo depois, com a criação de uma nova Constituição. Portanto, é nítido que a força do povo é essencial para que haja transformações nacionais.
Desse modo, é evidente que as manifestações populares são grandes ferramentas de mudança social. Para que a população as use com eficiência, é preciso que o Ministério da Educação inclua no currículo escolar a educação política, por meio de aulas de sociologia que abordem os direitos e deveres de um cidadão dentro da sociedade. Assim, a fim de formar alunos conscientes da importância de se manifestar quando há insatisfação na administração do Estado, espera-se que o conceito criado por Clístenes possa realmente ser seguido.