Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 29/11/2020
Apesar do tempo presente ser o mais democrático da história política brasileira, pesquisas constatam recorde de descontentamento com esse regime de governo. De acordo com o levantamento de 2019 da Pew Research Center, instituto de pesquisa norte-americano, que contou com dados de 27 países, o Brasil é o terceiro em insatisfação democrática. Assim, os últimos dez anos têm sido marcados por uma série de manifestações populares, que carregam indignação e reinvindicações de aspecto conjuntural ou estrutural.
Nesse sentido, 2013 foi um ano marcado por protestos decorrentes de um acúmulo de aborrecimentos com os ditames do governo. Começou em São Paulo capital, onde o aumento das passagens de ônibus foi o estopim, e se propagou por todas as capitais do país, pois, como diziam os cartazes, não foi por vinte centavos, mas por questões políticas. De acordo com a pesquisa Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), quase metade dos manifestantes afirmaram que a motivação era a corrupção, pois é a chave para as mazelas da educação, do transporte e da saúde pública. Portanto, as reinvindicações conjunturais, ou seja, advindas das circunstancias do momento, são uma declaração de resistência e negação de passividade diante dos ditames dos governantes.
Além disso, as frequentes crises econômicas mundiais, que, devido a globalização afetam todos os países, provocam a emersão de discursos e manifestações anticapitalistas, como a tática dos black bloc num combate de viés estrutural. Presente também nas Jornadas de Junho de 2013, é composto por pessoas vestidas e mascaradas de preto, que expressam criticas a lógica de mercado, essência da concentração de renda, e atacam edificações de empresas e instituições de Estado consideradas símbolos do capitalismo. Setores conservadores da sociedade os apontam como um movimento de guerrilha urbana, que atentam contra a ordem social, devido as ações violentas. Contudo, o uso de violência pode fortalecer o lado opositor, pois agir de forma ilegal contribui para a legitimidade e vitimização destes, e dar margem a organizações de cunho autoritário.
Portanto, a democracia vigente não é perfeita, mas é o regime que consente com a liberdade de expressão e reclamação, com limites para a promoção saudável do movimento. Sendo assim, ela deve ser reformada e aprimorada constantemente, consoante as necessidades da sociedade. Para isso, cabe aos cidadãos exercerem seus direitos políticos com maior empenho, com participação ativa em debates públicos que forem de interesse coletivo, fazendo uso de ferramentas constitucionais e evitando-se violar a segurança de todos. O direito a liberdade de reunião é também uma maneira de exercer outras liberdades, como a liberdade religiosa, de locomoção e de manifestação do pensamento.