Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 23/11/2020
Manifestações populares são um dos maiores mecanismos de mudança social vistos na história, influenciando sociedades distantes e perpetuando suas conquistas no tempo, como ocorreu com a Revolução Francesa. Nesse aspecto, o século XXI passou por uma série de protestos centralizados na insatisfação dos governados com o governante e sua estrutura de poder. Tal ocorrência social foi causada pelo sentimento de baixa representatividade política e o crescente autoritarismo governamental.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a influência da crise de representatividade, vivida por quase todas as democracias contemporâneas. Seguramente, a democracia moderna é muito diferente da democracia direta grega, que exigia mais participação e engajamento, se comparada ao modelo atual e tal fato pode desconectar o cidadão da vida pública e criar o sentimento de baixa representatividade, que muitas vezes não é acompanhado de uma atuação política permanente, levando ao extremo do isolamento político. Nesse aspecto, é cristalino que o cidadão médio não se sente representado, pois concretamente não participa de muitas possibilidades de modificação social pela política, criando o ambiente perfeito para o surgimento de insatisfação com as instituições e os governantes.
Igualmente, convém ressaltar o crescente autoritarismo governamental como um dos principais combustíveis das manifestações sociais. Isso porque, a sociedade está cada vez mais plural e os governantes apresentam dificuldade prática para criar coesão entre as diferentes camadas sociais, o que ocasiona a tomada de medidas autoritárias, como a repressão policial, para manter a ordem e suprimir o pensamento divergente. Assim, o autoritarismo constitui uma peça chave para a compreensão das ondas populares no século XXI, já que estrutura o isolamento político pelo uso da força, o que é inaceitável diante das conquistas democráticas históricas alcançadas pelo homem.
Portanto, medidas devem ser tomadas para atuar na causa do problema e diminuir a insatisfação política para a criação e manutenção de uma sociedade justa e igualitária. Nesse sentido, os entes federativos dos três poderes da República devem criar um programa de integração da sociedade com as instituições. Esse programa tem como objetivo ensinar as formas de participação política e fomentar a sua prática, demonstrando o trabalho de cada ente e como realizar mudanças institucionais de forma democrática por meio de visitas, acompanhamento, palestras e audiências públicas para ouvir as demandas da comunidade. Somente assim, por meio do consenso e do debate, será possível criar uma sociedade verdadeiramente representada e que está apta para lidar com a necessidade da mudança que as manifestações populares carregam para o pleito coletivo.