Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 27/11/2020

O conceito de “instituição zumbi”, definido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, explica que certas instituições políticas não exercem mais suas funções como deveriam, no entanto, mantém suas formas, sendo comparadas a mortos vivos. No Brasil, é indubitável que a participação política dos indivíduos nas manifestações populares no século XXI ainda causam grande inquietação, visto que, além do presente contexto da desigualdade social, o mesmo não é reconhecido como forma efetiva para garantia dos Direitos, o que logo remete-se ao conceito referido anteriormente. Destarte, é necessário analisar os fatores que fazem desta problemática, uma realidade contemporânea.

Deve-se pontuar, de início, que o lento crescimento de cada indivíduo à condição de reconhecer-se e agir como parte de um todo sustenta-se na construção social decorrente do sentimento de pertencer a uma causa importante. Na célebre pintura “A Liberdade guiando o povo”, de Delacroix, é possível observar que o compartilhamento de uma identidade coletiva postula o movimento em busca de igualdade, fortalecendo-se, no Brasil, na forma de manifestações sociais em busca de equidade para as minorias. No entanto, a desigualdade social continua em níveis elevados, ocasionando a sensação coletiva de um certo afastamento das circunstancias que fazem do indivíduo um cidadão com Direitos garantidos. Dessa forma, portanto, é notória a ascensão dos mais favorecidos em decorrência dos indivíduos marginalizados.

Por conseguinte, vale ressaltar, ainda, que as instituições de ensino brasileiras não fornecem o devido amparo preparativo de situações políticas aos indivíduos. De acordo com a filosofia de Aristóteles o governante da nação deve priorizar o bem comum, em detrimento de si próprio, uma vez que está inserido em um meio social, entretanto, nota-se que, mesmo com as manifestações populares em busca de Direitos, o Governo brasileiro ainda não os garante em sua totalidade. Isso posto, é certo afirmar que a desigualdade no país aumenta gradativamente, já que o ensino da política como manifestação da democracia e do debate público não são ensinados, ocasionando uma desarmonia com a filosofia política aristotélica.

Portanto, é indispensável efetivar medidas que desenvolvam a manifestação política dos indivíduos no contexto brasileiro contemporâneo.  Com isso, o Ministério da Educação deve incluir na grade curricular a educação política não partidária, providenciando capacitação intelectual para os professores com aulas e campanhas específicas a fim de incentivar os alunos em práticas como, por exemplo, debates e o aprendizado da Constituição sobre os instrumento de participação e engajamento para além do voto. Dessa forma, o Brasil será um país democrático e evoluído.