Manifestações populares em evidência no século XXI
Enviada em 29/11/2020
A Constituição Federal vigente, promulgada em outubro de 1988, garante liberdade de expressão a todos os cidadãos brasileiros. Porém, quando o assunto são os movimentos sociais, o que se observa são cenas de ódio e preconceito. Esse cenário, estimulado pelo descaso governamental, somado à matriz cultural brasileira, representa uma persistente tribulação no aspecto contemporâneo do Brasil.
Em primeira instância, é fulcral salientar que o sociólogo Émille Durkheim afirma, em seus inúmeros estudos, que o poder público se responsabiliza pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade estabelecendo, por conseguinte, o bem-estar social. Contudo, a perspectiva adotada pelo estudioso manteve-se no plano teórico em razão do descaso governamental em viabilizar investimentos, aptos a promoverem melhorias sociais. Devido a isso, torna-se comum a divulgação de discursos de ódio aos manifestantes, declarando o preconceito existente entre classes sociais distintas.
A posteriori, é perceptível que o preconceito aos protestantes está enraizado na matriz cultural brasileira. Um explícito exemplo desta realidade foi o governo cívico-militar, instaurado no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, que proibiu toda e qualquer manifestação política e social que se opusesse ao regime vigente, através dos Atos Institucionais, privando os indivíduos de sua liberdade de expressão. Dessa forma, a filósofa Hannah Arendt apresenta em sua teoria “banalidade do mal”, que os diversos tipos de pensamentos da atualidade foram transmitidos de geração em geração sendo, portanto, atrelado à arcaicos preconceitos.
Por fim, caminhos devem ser elucidados para amenizar esse impasse, levando-se em consideração as questões abordadas. Assim sendo, cabe ao Governo Federal - órgão responsável pelo bem-estar da população - elaborar um plano nacional de incentivo a liberdade, de modo a instituir ações, tais como palestras, campanhas publicitárias e cartilhas educacionais que visem a garantia da autonomia e da tolerância social. Isso pode ser feito através de uma associação entre prefeituras, governadores e entidades federais - haja vista esse fenômeno envolver todos os âmbitos administrativos - que realizem periódicos eventos como os supracitados, mediados por advogados e sociólogos. Assim, essa importante questão pode ser atenuada.