Manifestações populares em evidência no século XXI

Enviada em 01/12/2020

A Revolução Francesa foi o evento que desmitificou a imagem divina construída pelo rei e afirmou ao povo que nenhum soberano é invencível. Com o advento da democracia, da tecnologia midiática e da internet, as pessoas começaram a se manifestar de forma mais frequente e assertiva, convencidas dos seus direitos. Porém, em contrapartida com a realidade, muitos protestos atuais parecem ser reproduções ou continuações, de eventos do século passado. Assim, é possível compreender que o século XXI é o mais flexível no que diz respeito à liberdade de expressão, mas não o mais moderno em seus ideais.

Em primeira análise, protestos como as Diretas Já, como os de Maio de 1968 em Paris, e até mesmo a Revolução Russa - todos aconteceram no século passado, com o mesmo objetivo: democracia. Pensava-se ser um problema já resolvido na atualidade, mas a ideia é refutada quando menciona-se as manifestações a favor de uma eleição sem fraudes e pelo fim da ditadura, em Belarus em 2020. Os protestos recentes em Hong Kong contra a lei de extradição também se encaixam na categoria. Sendo assim, compreende-se que a luta pela democracia não chegou ao fim, já que não é um direito garantido a todos.

Em segunda análise, a filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir afirmou uma vez que os direitos das mulheres nunca estarão seguros; será necessário manter-se vigilante por toda a vida. Assim, quando analisada a citação, ela se encaixa em outros contextos também. O Movimento Negro, liderado por Martin Luther King durante os anos 60 e o Movimento Black Lives Matter de 2020, ambos com o mesmo objetivo, diferem apenas nos seus líderes e contextos históricos. A luta contra o racismo, tão antiga e tão atual, sempre presente em momentos de crise, ainda não chegou ao seu fim. Deste modo, percebe-se que os direitos conquistados pelas minorias ainda não estão completamente assegurados.

Portanto, compreende-se a importância dos movimentos sociais do século XXI na garantia dos direitos conquistados no anterior. Porém, melhorias ainda podem ser feitas. Posto isso, o MEC (Ministério da Educação) deve promover a conscientização de classe e raça nas escolas através de palestras e debates políticos, a fim de que a juventude brasileira cresça consciente de seus direitos. Ademais, o MEC e a grande mídia, de forma conjunta, podem informar a população fora das escolas acerca das manifestações através de propagandas, a fim de contribuir ainda mais para a conscientização. Se assim forem realizadas essas medidas, talvez o país não tenha que repetir os eventos da Diretas Já.