Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 05/08/2021
Na obra, “Um amor conquistado: o mito do amor materno” da filósofa e autora francesa Elizabeth Badinter, demonstra que a imposição à maternidade acima de tudo e o mito do amor natural e expontâneo de toda mãe pela prole inaugurou-se no século dezoito. Nesse contexto, na atualidade esse fantasia continua viva e impõe firmimente às mulheres o dever da maternidade, situação causada tanto pela incompreensão da sociedade sobre o real papel da mulher na comunidade, quanto pelo machismo enraizado. Dessarte, mostra-se a relevância em debater essa pauta.
Primeiramente, a mentalidade retrógrada da população sobre a obrigação que as mulheres possuem de ter filhos é um dos principais agravantes da problemática. Nesse sentido, a redução das taxas de natalidade no Brasil, de 6,7%, entre os anos de 2000 e 2015, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revela maior controle das mulheres sobre a quantidade de filhos, embora, não seja uma realidade de toda a população, é considerada uma conquista. Entretanto, a despeito dos avanços, ainda, existe uma ilusão implantada na sociedade sobre a maternidade compulsória, essa que gera muitas cobranças da comunidade sobre a mulheres, autoexigências, sentimentos de incompletude e, até mesmo, problemas mentais naquelas que não têm filhos, seja por problemas de saúde ou por escolha própria, isso mostra como essa cultura de que as mulheres precisam ser mães para serem realizadas pode trazer-lhes sérios danos.
Além disso, é cabível salientar que o machismo está diretamente relacionado à pressão exercida sobre as mulheres para procriar, uma vez que as responsabilidades impostas pela sociedade aos homens são discrepantes. Diante do exposto, segundo o sociólogo francês Emille Durkheim, a comunidade somente saberá agir à medida que conhecer o meio que está inserida. Dessa maneira, enquanto os brasileiros não conscientizarem-se sobre a maternidade estar relacionada a uma convenção social, a qual as mulheres possuem o papel de cuidar dos filhos e da casa, ao contrário dos homens que são praticamente insentos dessas tarefas, esse problema se perpetuará.
Destarte, mostram-se evidentes os desafios para combater à maternidade compulsória, logo, precisa-se de ações transformadoras. Desse jeito, destaca-se o papel do Estado, por meio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em conscientizar a população sobre o livre-abrítrio da mulher em ser mãe e desfazer o senso comum de que a maternidade é algo inato. Dessa forma, para essa ação, com verbas estatais, poderão ser realizadas campanhas na mídia, com profissionais especializados, que explicitem o papel da mulher na sociedade além da maternidade e que essa é uma decisão particular. Assim, o Brasil estará no caminho para a liberdade de escolha das mulheres.