Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 09/08/2021
De acordo com a escritora e filósofa Simone de Beauvoir: " não se nasce mulher, torna-se mulher". Ela nos traz a reflexão acerca da construção dos papéis femininos na história.Relativamente à isso,o debate sobre a maternidade compulsória e a sua romantização são de extrema importância.Deve-se salientar que,ser mãe é uma decisão e não uma obrigação,além da necessidade da responsabilidade conjunta do casal.
Convém ressaltar,primeiramente,que a maternidade pode ser uma tarefa exaustiva e até sufocante, especialmente para as jovens sobrecarregadas.Mesmo sendo um “tabu” falar da problemática envolvida,algumas mães corajosas se juntaram na campanha " Desafio da maternidade" e expuseram as dificuldades por trás da imagem idealizada ,sofrendo,no processo,grande repúdio por tocar em um assunto “proibido”.Apesar de ser um tema subjetivo, problematizá-lo é uma polêmica,e a mulher perde sua liberdade e autonomia de protagonista para cumprir obrigações morais.Dessa maneira,a sociedade narra as maravilhas do universo infantil, e não se questiona sobre o fato de limitar uma vida,para que nasça outra.
Cabe destacar ainda, que o casal é igualmente responsável pela criança,mesmo que a mulher sofra uma maior cobrança quanto aos cuidados.Essa realidade foi fomentada desde os tempos antigos,onde o sexo feminino foi submetido a tomar conta da prole,enquanto o homem deveria buscar abrigo e alimentos,justamente pela gravidez dificultar,até certo ponto,a mobilidade intensa.Essa ideia é retratada pelo livro “Sapiens” de Yuval Norah e contextualiza o momento atual.Contudo,um modelo arcaico e primitivo não deve moldar nossas relações modernas de convívio.
Portanto,para que a maternidade não seja uma tortura psicológica,a mídia deve apoiar o empoderamento feminino através de campanhas de publicidade que incluam ambos os pais como cuidadores e apoiem as decisões femininas.Assim,tornar-se mulher não será mais um castigo,mas sim, motivo de orgulho.