Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 06/08/2021
No seriado brasileiro “Coisa mais linda” é retratado a narrativa de uma personagem que escolhe não gerar uma vida. Nela, a decisão é duramente julgada por todos que a rodeiam. Isso posto, infelizmente, a realidade brasileira não destoa da ficção apresentada, tendo em vista a constante busca e idealização da maternidade. Por conseguinte, apesar da existência de várias lutas contra o sexismo, os pensamentos antiquados, impulsionados pela crítica social, estimulam a compulsão por geração familiar.
Em primeira análise, tem-se noção que a Revolução Industrial foi um marco histórico na luta feminista, pois mulheres deixaram de serem vistas como apenas donas de casa e começaram a participar de jornadas de trabalho. Entretanto, apesar de ser uma luta histórica, foi no século XIX que surgiu o primeiro movimento feminista, que lutava por direitos jurídicos e políticos. Desta maneira, diversas mentalidades retrógradas foram ressignificadas, dando espaço para diversos debates. No entanto, ainda sim é notório o exuberante problema social, que romantiza e idealiza o papel da mulher na sociedade, como a maternidade obrigatória.
Contudo, nessa perspectiva, cabe ressaltar que na Antiguidade a esterilidade feminina era vista como maldição, porque o único papel da mulher era gerar filhos e formar uma família. Todavia, infelizmente, tal pensamento ainda repercute na sociedade atual, na qual mulheres que não podem ou não querem ter filhos são diminuídas e ridicularizadas. Com base em um pensamento retrógrado da sensação de solidão, grande parte da população romantiza a maternidade, levando em consideração que, em uma pesquisa alemã da YouGov, mais de 8% das mulheres lamentam ter se tornado mães.
Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. O Ministério da Educação deve contratar psicólogos para atuar em escolas por meio de um projeto de lei entregue à Câmara de Deputados. Nele, deve constar que contrata-se profissionais da área, buscando impulsionar a conscientização do problema social de forma interativa, através de debates e palestras. Além disso, para o contratado, oferta-se o auxílio de meio salário mínimo adicionado a renda mensal. Espera-se, com esta medida, que imposições sociais diminuam desde os seus primórdios.