Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 25/08/2021

O termo “compulsório” indica um fator interno ou externo que impele ou obriga alguém a tomar determinada decisão. Nesse sentido, pode-se destacar o risco que a liberdade de escolha, entre mulheres que não desejam ter filhos, corre. Desse modo, é preciso destacar que a maternidade compulsória possui raízes tanto sociais como políticas.

Em primeiro lugar, entende-se que o exercício de ser mãe é uma cobrança primordialmente social. Isso ocorre porque desde cedo as meninas são incentivadas a aceitarem o fato de que deverão dar à luz, seja através das constantes bonecas ganhadas de presente ou da cobrança direta da família, na idade adulta. Uma afirmação que mostra isso é a da professora de Química e influencer, Ana Eufrázio: “a maternidade é vista como dádiva e, portanto, é inaceitável questionar os dogmas envolvidos nesse processo”. Assim, é fácil entender a dificuldade de expôr ao coletivo opiniões de mulheres que não se veem destinadas a serem mães ou simplesmente não o desejam.

Em segundo lugar, é válido lembrar que o poder público corrobora com esse comportamento cultural. Isso se dá através de uma ineficácia significativa em relação ao acesso à procedimentos anticoncepcionais, os quais permitiriam moças evitarem uma gravidez indesejada. Exemplo disso é que segundo uma pesquisa da revista de enfermagem da Universidade de São Paulo, 15,2% de 79 munícipios estudados deveriam, mas não disponibilizam inserção de DIU (dispositivo intrauterino), por meio do SUS. Além disso, 8,3% deles não fazem encaminhamento das pacientes para outra unidade. Dessa forma, fica nítida a falta de atitude política para preservar o direito de escolha das cidadãs brasileiras.

Portanto, pode-se compreender que a maternidade compulsória está enraizada na sociedade e é endossada pela indiferença dos representantes públicos do povo. Para enfrentar essa problemática é necessário que departamentos de publicidade e marketing usem sua influência para trazer à tona o assunto, através de propagandadas e talk shows, a fim de mostrar que a feminilidade vai além de gerar filhos e por vezes nem passa por isso. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde (principal defensor e promotor do bem estar brasileiro) executar uma varredura e disponibilizar, constantemente e de maneira uniforme, métodos contraceptivos em todas as unidades básicas de saúde do país, para garantir às mulheres segurança de planejamento. Só assim será construído um Brasil democrático para todos, livre de qualquer compulsão, obrigatoriedade e coação.