Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 07/08/2021

Em diversas entrevistas ao longo dos anos, a atriz Jennifer Aniston relata as duras críticas sociais que sofreu pela decisão de não ter filhos. Tal posicionamento da atriz reflete o dilema de várias outras mulheres e coloca em pauta o debate da maternidade compulsória no Brasil. Desse modo, faz-se mister discutir essa temática que é decorrente de fatores históricos e gera consequências sociais.

Vale ressaltar, a princípio, o papel histórico da mulher no corpo social. Historicamente, a cultura patriarcal associou o casamento e a maternidade como funções intrísecas à figura feminina. Esse cenário é bem retratado no livro “Orgulho e Preconceito”, da inglesa Jane Austen, em que várias personagens estão buscando reconhecimento social por meio do matrimônio e constuição familiar. Nesse sentindo, a sociedade impõe a geração de descendentes como um caminho esperado para as mulheres e, assim, desconsidera as subjetividades e escolhas de cada indivíduo.

Consequentemente, esse histórico cultural corrobora com a estigmatização das mulheres que optaram não serem mães. Nessa perspectiva, a autora Clarissa Pinkola Éstes, na obra “Mulheres que correm com o lobos”, afirma que a personalidade feminina foi destruída e mascarada pela sociedade patriarcal durante séculos. Nesse viés, aquelas que decidem não ter filhos são tidas como fora da normalidade social, muitas vezes sofrendo críticas por tal decisão. Logo, o patriarcado continua ditando regras sobre como mulheres devem lograr êxito na vida e a retrógrada ideia de sucesso atribuído à maternidade permanece.

Por conseguinte, é fulcral modificar esse panorama. Para isso, urge que a sociedade pare de disseminar a maternidade compulsória, por meio da ação indivídual em espaços de influência, como nas famílias, escolas e igrejas. É necessário gerar debates nesses locais acerca do papel da mulher, a fim de que a escolha feminina de ter ou não filhos seja respeitada e que não haja pressão social sobre suas decisões. Destarte, a decisão pessoal de Jennifer e outras não precisará ser uma pauta midiática.