Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 11/08/2021

No filme “Precisamos falar sobre Kevin”, é retratada a história da personagem Eva que, almeja ter sucesso em sua carreira e tampouco desejava ser mãe. Entretanto, após um descuido, uma gravidez indesejada acontece e a protagonista se sente pressionada a manter a gestação. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no filme se faz presente, uma vez que o enraizamento da maternidade obrigatória e do machismo na sociedade, consequentemente, agravam essa problemática.

Em primeiro plano, de acordo com a colunista, Cila Santos, é importante salientar o quão normalizado é o fato de ser mãe como única forma de encontrar a plena felicidade. Sob esse viés, não é atual que mulheres não tenham autonomia de escolher ou não a maternidade já que, desde a infância são ensinadas a brincar de boneca, ajudar nas tarefas para cuidar da casa e, na maioridade, escutam indagações como “você será traída se não tiver filhos ou “é a ordem natural das coisas. Sendo Assim, ter filhos é tão padronizado que é visto como algo comum do sexo feminino, forçando-as a gostar da maternidade e impedindo-as de negar ideias obsoletas que a sociedade ainda abraça na contemporaneidade.

Em segundo plano, segundo a teoria do Habitus, elaborado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos. Nesse sentido, fruto de uma comunidade machista e patriarcal, o papel da mulher como dona de casa e a responsável pelo cuidado com os filhos foi perpetuado. Ademais, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta a categoria “mulher sem cônjuge e com filhos” mas, não contém “homens sem cônjuge e com filhos”. Logo, a normalização desse padrão deixa claro que para o sexo masculino a escolha pela paternidade é, quase sempre, facultativa. Desse modo, medidas devem ser tomadas para combater a maternidade compulsória no Brasil.

Diante disso, o governo federal deve, por meio do Ministério da Educação em parceria com instituições de ensino, desenvolver palestras e projetos de aula para jovens e adultos que ressaltem a importância da possibilidade de escolha e aceitação dessa por outros indivíduos. Aliás, é imprescindível que nesses projetos seja destacado o valor das funções paternas na criação de uma pessoa, para que a visão patriarcal da mulher como a maior responsável pelos filhos seja desconstruída. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, torna-se uma nação justa, igualitária e estável.