Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 09/08/2021
A Bíblia Sagrada, livro mais difundido na humanidade diz em Gênesis 1:28, “Deus os abençoou e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se”. Com uma pressão psicológica baseada em um argumento religioso, judaico-cristão, atrelado ao machismo estrutural do patriarcado, muitas mulheres no Brasil sofrem preconceito e opressão por escolherem não terem filhos e é necessária a conscientização pátria para romper essa condição imposta às mulheres da sociedade brasileira.
Em primeira análise, vale salientar que a pressão psicológica em relação a maternidade tem raízes religiosas, baseadas no Cristianismo, que no Antigo Testamento, chamava mulheres inférteis de “galhos secos”. Nesse sentido, mulheres que não queriam, não podiam ou não conseguiam engravidar, foram julgadas como indignas de casamento e de vida plena. Isso mostra que historicamente às mulheres do ocidente - local onde o Cristianismo fora mais disseminado - sofreram e ainda sofrem com a maternidade compulsória, influenciando mulheres psicologicamente a terem filhos mesmo contra a sua vontade.
Ademais, o machismo estrutural dificulta a mudança de narrativa no que tange a maternidade compulsória no Brasil. Segundo o jornal Folha de São Paulo, em 2021, seguros de saúde pediam o concentimento do marido para inserção de DIU (Dispositivo Ultrainterino) em mulheres casadas e, mulheres solteiras alegavam dificuldades e pressão médica para não aderirem ao método contraceptivo. Isso deixa explícita a necessidade de conscientização social para aplacar tal óbice.
Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar a problemática. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde a conscientização da população sobre os efeitos negativos da maternidade compulsória no Brasil. Por meio de campanhas nos meios de comunicação, doutrinar os cidadãos sobre a importância de deixar as mulheres livres para fazerem sua própria escolha de engravidar ou não. Dessa forma, mudar tal cenário e rumar para uma sociedade no qual as mulheres sejam mais livres.