Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 10/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto que o autor prega, uma vez que a maternidade compulsória, no Brasil, é vítima de barreiras impostas pela sociedade, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Entre esses, tem como, a romantização da maternidade e principalmente a pressão social diante da liberdade de escolha.
Em primeiro plano, de acordo com Claude Lévi-Strauss, um antropólogo, a interpretação adequada da sociedade ocorre, por meio do entendimento das forças que formaram nossa realidade. Dessa forma, o papel das mulheres nas comunidades antigas era apenas de reprodutora e educadora. Apesar de muitos estigmas serem vencidos, a romantização pela maternidade ainda é idealizada, seguindo uma linha tênue que, para uma vida feminina perfeita, é necessário ser mãe. Sendo assim, as mulheres que optam não passarem pela gravidez, acabam sendo taxadas pela sociedade como egoístas e, supõe-se, está destinada a ser solitária pelo resto da vida. Com efeito, essa romantização é vista apenas como um disfarce, a base do discurso da obrigação de gerar um filho.
Ademais, a pressão social pela maternidade é altíssima e chega de todos os lados, até de onde menos se espera, pelos amigos ou até mesmo pela família. Por conseguinte, a mulher que possui a liberdade de escolha entre não passar pela maternidade, acaba sendo descriminalizada, por falta de empatia dos opressores. Nesse sentido, a figura feminina sofre uma manipulação e acabam sendo pressionadas a cumprirem o papel exercido pela sociedade de que ser mãe é “uma ordem natural das coisas”.
Portanto, a romantização da maternidade incluindo a pressão social na construção da figura feminina é algo que precisa ser revisto pelo Governo junto com o Ministério da Educação, por meio de palestras e a inclusão do ensino básico sobre a maternidade nas escolas. Enfatizando a criança a possuir desde pequena a liberdade de escolha, afim de protegê-la até que a maturidade às trouxesse mais clareza sobre o assunto.