Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 16/03/2022
O romance filosófico “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma civilização perfeita e ausente de problemas. Entretanto, tal obra fictícia diverge da realidade contemporânea, visto que a maternidade compulsória em debate no Brasil apresenta barreiras para a concretização do que o autor prega. Diante disso, é crucial analisar as causas do revés, a saber: a omissão social e a mídia.
A princípio, é fundamental pontuar que esse impasse deriva da despreocupação social acerca desse imbróglio. Nesse sentido, a filósofa francesa Simone de Beauvoir afirma que mais escandalosa que a ocorrência de uma problemática é o fato da sociedade se habituar a ela. Nessa perspectiva, nota-se que, mesmo a maternidade “forçada” sendo um problema, a população se acostumou com ela, transformando-a em algo comum e com um pensamento de que toda mulher deve ser mãe. Isso, consequentemente, faz com que essa conjuntura se agrave, causando uma pressão sobre as mulheres que não querem ser mães. Certamente, essa situação as levam a engravidarem “obrigadas”, mesmo despreparadas para a maternidade. Logo, é perceptível que esse cenário deve ser revertido.
Ademais, é válido ressaltar que os mecanismos de comunicação são impulsionadores da maternidade compulsória no país. Segundo o escritor britânico George Orwell, a mídia controla o corpo social. Sob esse viés, percebe-se que os meios midiáticos são grandes influenciadores, mas, em relação a esse empecilho, não se manifestam para mitigá-lo. Decerto, é notório que há ausência de divulgações sobre a maternidade “obrigatória” nos veículos de interação social, bem como não divulgam a respeito do psicológico das mulheres que são criticadas por não quererem ser mães. Destarte, fica nítido que esse causador corrobora, de modo danoso, a perpetuação desse quadro.
Portanto, cabe ao Governo Federal, órgão responsável por gerir e por organizar a nação, por meio de verbas públicas, criar campanhas sociais, que alerte a sociedade sobre essa temática e que informe que a decisão de ser mãe deve ser da mulher. Assim, a fim de atenuar a maternidade compulsória no Brasil, poder-se-á efetuar a “Utopia” de More na engrenagem social.