Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 28/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a maternidade compulsória apresenta barreiras, de modo que dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da pressão soocial quanto da influência midiática. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral ressaltar a pressão da sociedade mediante o impasse. Similarmente aos sentimentos de mulheres que se sentem pressionadas a vivenciar a maternidade, o quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Isso se evidencia pelo fato de a sociedade ainda possuir traços do patriarcado, ao associarem mulheres à gravidez e ao dever de ser mãe. Como se não bastasse esse pensamento arcaíco, o tecido social argumenta que não ter filhos pode levar a uma vida triste e solitária, impondo à mulher o fardo de viver a maternidade, mesmo não existindo o desejo.Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o fato supracitado contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Ademais, é importante pontuar que a maternidade compulsória possui estreita relação com a influência midiática. Isso se mostra no filme “Coincidências do Amor”, que apresenta Kassie, uma mulher que sonha em ter filhos. Durante a curta-metragem a personagem vê bebês em todos os lugares por onde passa e enxerga a maternidade como mil maravilhas. Vale ressaltar que, como no filme, esse é o ponto de vista de muitas mulheres e homens, que não veem o lado negativo da maternidade e tudo que fazem é romantizá-la, fazendo com que tentem persuadir aquelas que não sentem vontade de ser mães, e fazendo piadinhas cansativas como “quero ser titia” ou  “quando vai me dar um netinho?”. Logo, é indamissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, medidas são necessesárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a maternidade compulsória, necessita-se, que as rádios, por meio de campanhas informativas sobre como existem mulheres que não almejam se tornar mães, e também que abordem os malefícios de pressionar mulheres a terem filhos - como depressão, abandono da criança e até mesmo uma não conexão com o bebê, e que tudo isso pode influenciar no futuro do filho - a fim de consolidar uma sociedade mais respeitadora e que entenda que cada um tem sua escolha de vida.