Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 15/08/2021
O seriado estadunidense ’’ Educação Se ’’ retrata o impasse da jovem Maeve em relação à gravidez indesejada, no enredo ela encontra uma clínica para fazer o aborto de forma segura. Nesse contexto, comparando a realidade brasileira com uma obra cinematográfica nota-se a discrepância nas oportunidades e cenários, já que no Brasil a maternidade é tratada de maneira compulsória pela sociedade, e na série é definida unicamente pela vontade feminina. Sob essa perspectiva, é possível observar na atualidade não só o papel feminino ainda sendo preestabelecido, como também a interferência Estatal na liberdade de escolha da cidadã.
Em primeiro lugar, em relação a abordagem obrigatória da maternidade percebe-se que um biocenose tradicionalmente induz e considera a ação de gerar e cuidar de outro indivíduo como a responsabilidade da existência de ser mulher. Nesse sentido, o filósofo britânico John Locke aduz sobre a ’’ Teoria da folha em branco ‘’, a qual compreende que todo cidadão nasce sem conhecimento prévio sobre a vida em sociedade e passa pelo processo de conhecer, saber e agir diante das experiências. Sob essa conjuntura, entretanto, o fato de nascer com os órgãos reprodutivos femininos acarreta em experiências preestabelecidas que caminham para a maternidade - na infância a menina já é induzida a brincar de boneca e casinha. Dessa forma, a mentalidade de ser mãe passa a incrustar-se nos pensamentos da mulher que já não sabe distinguir se é um desejo próprio, ou somente está reproduzindo o que a espera da sociedade.
Em segundo lugar, a respeito da pressão social considerados para que a maternidade seja aceita sem discordância, identifica-se a interferência do Estado- responsável por garantir a liberdade e o bem estar social- na autonomia da mulher em relação à escolha de métodos contraceptivos. Nesse aspecto, a título de ilustração insere-se a ocorrência, em 2021, de Planos de Saúde, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, exigirem o consentimento do marido para autorizar o procedimento de inserção de DIU. Desse modo, sob esse infortúnio, é possível que verificar a mulher não possui liberdade de escolha individual, visto que constantemente é levada a precisar da aprovação de outrem, seja do parceiro, seja do médico- que em muitos casos passa a julgar ou dificultar a aplicação do método escolhido. Evidencia-se, portanto, que é necessário a modificação dos padrões comportamentais em relação a maternidade no Brasil. Sendo assim, é dever do Estado proporcionar debates nas escolas, tanto públicas quanto privadas, sobre os papéis e as escolhas que cada um deseja seguir, por intermédio de equipes psicopedagógicas em rodas de conversa com os alunos, a fim de proporcionar o início de uma visão relativista sobre as escolhas diferentes de cada um.