Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 12/08/2021

No livro O Segundo Sexo, a filosofa francesa Simone de Beauvoir, apresenta o conceito de socialização feminina. Tal conceito explícita como numa sociedade patriarcal são impostos a mulheres determinados comportamentos. Passando pela cor de seus batons ou o tamanho de suas saias, as imposições chegam até a questão reprodutiva. Dessa maneira, a maternidade é encarada como compulsória, e essa problemática atinge boa parte das mulheres.

A partir da socialização feminina, a maternidade é construída enquanto uma necessidade vital para mulheres. Empreende-se o mito de que todas as pessoas com útero no mundo são feitas para gerarem filhos, sem considerar as particularides e desejos de cada uma. Comumente surguem relatos de mulheres que são constantemente questionadas ao expressarem sua vontade de não serem mães. Tidas como frias e insensíveis, a situação mencionada exemplifica claramente como a sociedade enxerga aquelas que não correspondem ao padrão de socialização.

Além disso, socialmente a maternidade é tratada de forma extremamente romantizada. Desconsiderando a gestação como um processo invasivo fisica e psicologicamente, o patriarcado não oferece redes de apoio para mães, que se veem desamparadas após o nascimento de seus bebês. Tal fato é que, o mesmo corpo social que prega a ação de maternar enquanto apogeu da felicidade e realização feminina, nega suporte quando as crianças nascem. Evidencia-se a partir disso, como a maternidade compulsória é fruto da necessidade de controle sob corpos femininos.

Depreende-se portanto, a necessidade de elaborar um cenário social realista e acolhedor acerca da maternidade. Desse modo, cabe ao Estado brasileiro mobilizar orgãos menores, como escolas e postos de saúde, para incluir debates sobre o tema. A partir da elaboração de panfletos e rodas de conversa, tais instituições devem conscientizar a população afim de esclarecer a maternidade compulsória. Dessa forma, a sociedade caminhará para a desconstrução dessa chaga social.