Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 19/08/2021

No livro “Daisy Jones and the Six”, de Taylor Jenkins Reid, a personagem Karen engravida por acidente, porém ela não se enxergava como mãe e nem abdicando de seus sonhos e desejos para criar um filho. Trazendo para a realidade brasileira, fica evidente a realidade de mulheres que não conseguem se ver no papel de mãe, que muita das vezes é escolhido à elas problematicamente sem dar espaço para seus anseios.

De maniera semelhante, na música “Mulheres de Atenas” de Chico Buarque, é representada a vida das mulheres na Grécia Antiga que viviam em prol de seus maridos, um esteriótipo cultural que é enfrentado até os dias atuais, em que a mulher também é tratada como reprodutora e por isso muita das vezes gera uma gravidez que vem por impulso ou pressão, sem necessariamente desejar ter uma criança. Por esse motivo a inserção da mulher no mercado de trabalho é um marco importante, uma vez que se torna independente financeiramente de seu marido ou de sua família.

Conforme como foi citado por Freud, é uma grande libertação para os seres humanos a separação entre a relação sexual e a reprodução. Hoje isso é possível, e se torna mais fácil a escolha da mulher de querer ou não ter filhos. Métodos como a camisinha, DIU e anteconcepcionais, apesar de não serem 100% eficazes, ajudam a previnir gestações indesejadas. Outros modos de prevenção como a laqueadura, é mais seguro porém não é tão simples pois envolve cirurgia. Simultaneamente, é importante pensar nas famílias de baixa renda, que muita das vezes encontram dificuldade para comprar alimento, não conseguem ter acesso a métodos contraceptivos, por isso é importante o oferecimento de tais pelo governo.

Em suma, é possível entender como é de extrema importância o local de fala da mulher, uma vez que cada uma em sua individualidade têm seus sonhos e desejos, sendo que muitos destes não se encaixam no esteriótipo padrão. Desta forma, cabe ao Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MDH), apoiar e aconselhar por meio de agentes públicos, grávidas que não querem concluir sua gestação a terem seus filhos, dando a elas opções no sistema de adoção. Da mesma forma, cabe ao MDH em conjunto com o Ministério da Saúde, divulgar campanhas por meio das redes sociais, televisão e panfletos sobre prevenção sexual, instruindo a população sobre os métodos contraceptivos e disponibilizando os mesmos na UBS (Unidade Básica de Saúde). Por fim, as gestações indesejadas poderão ser evitadas e a população será mais ciente, e assim pessoas de baixa renda poderão evitar com maior facilidade e sem gastos.