Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 18/08/2021
“Maternidade compulsória” é um termo que se refere a obrigatoriedade de ser mãe, incutida pela sociedade, em todas as mulheres desde sua infância. Tal realidade pode ser facilmente percebida no filme “Juno”, no qual a protagonista, uma adolescente, engravida e mesmo sem qualquer condição financeira e psicológica é intensamente pressionada a assumir o papel materno. Esta responsabilidade forçosa, é extremamente cruel, visto que: as mulheres que a recusam são oprimidas no coletivo e corrobora com a inferiorização feminina, em comparação aos indivíduos do sexo masculino.
De antemão, é válido ressaltar que a horrenda opressão social é atribuida a toda e qualquer mulher que negue a meternidade a ela imposta. Portanto, não leva em consideraçaõ, os possíveis danos a saúde física e mental dessa, muito menos a incapacidade de suprir de maneira digna as necessidades básicas da possível prole. Tal qual evidenciado no Brasil, no final de 2020, quando uma garota pobre, de apenas 10 anos- após decidir, como lhe assegura a lei, abortar um feto fruto de abuso sexual- teve seus dados criminalmente divulgados, pela ativista ultraconservadora Sara Winter, sendo consequentemente perseguida e difamada, até mesmo no hospital que realizou o procedimento. Tais atitudes são atrozes, visto que culpabilizam a vítima e ferem um indivíduo já há muito massacrado que teve direitos mínimos negados.
Ademais, a determinação de que as pertencentes ao sexo feminino devem ter filhos ainda que não o queiram, reforça intrinsicamente sua desigualdade perante os homens. Pois, além da ilegalidade do aborto, em grande parte dos países, expressa a falta de direito das mulheres para realizar as decissões que envolvem seus próprios corpos; o asseguramento inexistente, por parte dos Governos, de creches, escolas, saúde de qualidade e trabalhos com carga horária flexível, impossibilitam que mulheres, que carregam a real responsabilidade de cuidar das proles, possam viver plenamente como indivíduos e ter filhos sem amplo planejamento e esforço. O que é posto em evidência no livro " Mães arrependidas" de Orna Donath, que aborda a sobrevivência árdua de muitas mães, impostas a maternidade, para suprir o mínimo do que é necessário a seus descendentes, se renegando, quase sempre, no processo.
Em suma, cabe a ideólogas como Caroline Balduci- produtora do documentário “Odeio a Maternidade, amo meu filho” -veicular massivamente conteúdos, através de plataformas digitais, que ponham em pauta a maternidade compulsória. Para que, as mulheres estejam mais informadas para se impor em suas decissões e para exercer sua cidadania, elegendo outras representantes femininas que lutem pela equidade de direitos entre os seres de diferentes sexos. Destarte, amenizando a vexação comunitária sofrida pelas mulheres que não desejam ser mães e a desigualdade de gênero