Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 20/08/2021
A série americana " O conto da Aia" retrata um futuro distópico onde uma sociedade teocrática obriga as mulheres a terem filhos. Para além da ficção, a maternidade compulsória está presente no Brasil hodierno tanto pela naturalização do pensamento quanto pela ausência governamental. Portanto, depreende-se que tal problemática deve ser debatida.
Primeiramente, como demonstra Pierre Bourdiau em seu conceito “Violência simbólica” a estrutura social possui mecanismos de coerção que são solidificamos de formas sutis. Nesse sentido, o discurso dominante reproduz crenças que nada mais são do que criações sociais e uma delas é a maternidade compulsória. Conforme apresenta Bourdiau a obrigatoriedade da maternidade é um exemplo de violência simbólica visto que, impõe que todas as mulheres devem buscar maternar. Nesse viés, o resultado de tal coação gera mães que não refletiram se lhes cabia esse papel e uma inferiorização das que optaram por não ter filhos.
Em segundo plano, é importante salientar que a ausência do Estado corrobora com a ideia de que a maternidade é algo natural. Desse modo, há muito que ser feito visto que, ainda em 2021 um plano de sáude brasileiro solicitou o aval dos conjuguês para inserção do DIU ( dispositivo intrauterino) que funciona como um contraceptivo evidenciando que a mulher não pode decidir por conta própria se irá ou não ter filhos. Ademais , esse descaso do governo vai de encontro a Constituição Brasileira datada de 1988 que prevê que todos são iguais e possuem livre escolha. Em vista disso, fica evidente que o próprio Estado se contradiz ao não agir em prol de uma sociedade mais justa e racional.
Torna-se evidente, portanto, que a maternidade compulsória em questão no Brasil é nociva e priva as mulheres de optarem. Para a conscientização da população brasileira sobre o problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais como Facebook, Instagram que gerem uma reflexão crítica. Além disso, faz-se necessário que haja palestras que esclareçam que gênero não é determinante para determinadas escolhas. Somente assim, será possível combater os esteriótipos que recaem sobre as mulheres distanciando-se da ficção do " Conto da Aia".