Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 18/08/2021
Na série de TV “A Grande Família”, a filha mais velha da família Silva, Bebel, sempre é apoiada por seus pais a ser dona de casa e mãe, ao contrário de seu irmão, Tuco, que é incentivado a estudar e trabalhar. Fora da ficção, o papel de mãe também é estigmatizado e visto como obrigatório, visto que mulheres que optam por não terem filhos sofrem preconceito e são julgadas pela sociedade. Desse modo, emerge o problema da maternidade compulsória, que é motivado principalmente pelo silenciamento e pela lacuna educacional.
Em primeira análise, pode-se observar que há a ausência de debates acerca do problema. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nessa perspectiva, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate da maternidade compulsória, o que favorece o controle dos corpos femininos pelos homens, e consequentemente o machismo, que é a estrutura de poder enraizada na civilização contemporânea. Assim, sem diálogo massivo e sério sobre o impasse, sua resolução é impedida.
Sob outro olhar, a insuficiência educacional também agrava a problemática. Para o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com esse ponto de vista, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à compulsão por ser mãe, observa-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não traz às salas de aula conteúdos que ajam na solução da questão. A escola, como formadora de cidadãos, deveria abordar não só matérias conteúdistas, mas como também situações práticas e reais da vida adulta, como a maternidade compulsória e todos os estigmas acerca das mulheres.
Portanto, medidas precisam ser tomadas. O Ministério da Educação deve criar uma semana de campanha nas escolas que, por meio de palestras, debates, encenações e demonstrações práticas, informem, eduquem e conscientizem adolescentes de todo o Brasil sobre a maternidade compulsória e temas relacionados. Tais campanhas podem acontecer em horário de aula e devem ser acompanhadas pelos professores também, para que também se informem sobre o assunto. Logo, todas as brasileiras poderão ter a liberdade de decidirem ser mãe ou não, sem serem julgadas pela sociedade.